TRABALHO,AMIGOS E ATÉ BEIJO PODE FORTALECER A IMUNIDADE

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Trabalho, amigos e até beijo podem fortalecer a imunidade

'No beijo você não troca apenas sentimentos, você troca microbiota. Você troca bactérias. E essa troca é extremamente saudável', diz imunologista

Pesquisa de laboratório confirma: o nosso sistema imune depende de uma série de interações. Mas um dos elementos principais é se sentir bem, estar feliz.
Dinha e Vicente. O que será que eles têm em comum?
“Acho que tem mais de dez anos que eu não fico resfriada”, afirma Dinha.
“Tem muito tempo que eu não fico resfriado. Muito tempo mesmo”, conta Vicente.
Vicente trabalha no açougue. Um entra e sai da geladeira. 
“O corpo vai se adaptando a este tipo de temperatura: uma hora é frio, outra hora é quente”, diz.
Dinha também tem uma rotina desgastante, mas olhando para ela, nem parece. Ela cozinha, lava, passa e faxina. Dinha faz tudo na casa dos patrões, Jonas e Sandra, e faz tudo na casa dela também.
Casa que ela deixa brilhando. Edna Fidelis dos Santos, 45 anos, tinha 21 quando começou a trabalhar como doméstica. Mas ela também aprendeu a se cuidar. Ela consegue tempo para ler e fazer tudo de que gosta.
Vicente Medeiros, de 50 anos, começou na profissão de açougueiro aos 20 anos de idade: “Até agora me sinto bem no que eu faço e me sinto com todo o vigor ainda.”
Pensando bem, quantos brasileiros a gente conhece que levam a vida com este jeitinho feliz e saudável mesmo enfrentando dificuldades e os inimigos invisíveis.
“E a gente está o tempo todo lidando com isso. Aqui, neste momento agora, a gente está sob ataque, existem microorganismos que só não estão provocando uma infecção, não estão provocando uma doença neste momento agora ou vão provocar justamente por causa do nosso sistema imunológico, porque nosso sistema imunológico está vigilante”, explica o pesquisador da Fiocruz Fernando Motta.
Vigilante como toda a equipe que trabalha na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Fernando é virologista, especialista em vírus. 
A Fiocruz é considerada uma das principais instituições de pesquisa do mundo. Busca permanente para identificar os vírus e a eterna procura pelas vacinas.
“A higiene pessoal, o saneamento básico, o fornecimento correto de água, todas essas coisas colaboram com a saúde da população de um modo geral. Da mesma maneira como a atividade física, sono com regularidade”, explica.
A imunidade depende dos cuidados conosco e com os outros.
O médico imunologista Helton Santiago, da Universidade Federal de Minas Gerais, garante que a nossa imunidade tem de ser estimulada para se fortalecer: “Aquela história das nossas avós: 'deixa o menino brincar na terra para ele criar resistência.' É a mais pura verdade.”
Se depender de tantos desafios que enfrentamos ao longo da vida, todo dia pode ser um treino para nossa saúde. E, quem sabe, até bem agradável.
“O beijo, a relação sexual, o abraço, você não troca apenas sentimentos, você troca microbiota. Você troca bactérias. E essa troca é extremamente saudável. É claro que aqui a gente tem que abrir um parênteses, se a pessoa tem uma doença transmissível. Mas a troca de microbiota entre dois seres humanos, principalmente se eles se gostam, é extremamente benéfica,” diz o imunologista.

Ser humano tem incrível capacidade de derrotar vírus e bactérias


Alimentação é um dos segredos da longevidade de dona Rita Parise.
Aos 81 anos, ela trabalha mais de dez horas por dia e nunca ficou doente.


Começar o dia feliz da vida é acordar para um desafio para lá de estimulante: chegou a hora de enfrentar e vencer os inimigos invisíveis, os vírus e as bactérias. Eles estão em toda parte. Os perigos para nossa saúde existem até mesmo no ar das grandes cidades.
Para nossa surpresa, acabamos descobrindo o maior de todos os nossos talentos. Acreditem: a nossa capacidade de suportar e derrotar as ameaças externas vai muito além do que imaginamos. Sim, é possível ficar ainda mais forte todo dia. Dentro do nosso organismo existe um admirável mecanismo de proteção que nós podemos aperfeiçoar ao longo da vida.
Globo Repórter: Nosso corpo são trilhões de bactérias. Cada célula, milhões de bactérias. Como que esse mecanismo funciona?
Rosa Leonôra, gastroenterologista - UFF: Esse mecanismo funciona a partir da convivência de milhões de anos. Para que essa saúde humana se preserve e que as bactérias sobrevivam é preciso que a gente tenha como se fosse uma orquestra, uma sinfonia

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Coração, pulmões, o baço, o estômago, os rins, o cérebro, o timo. Todas as glândulas e todos os nossos órgãos têm uma função específica, mas estão organizados para trabalhar em conjunto, um completa o outro. Nosso organismo lembra mesmo uma orquestra.
"Todo mundo tem que interagir. Porque se essa sinfonia sai do tom, a gente tem as doenças", diz Rosa Leonôra.
Doenças que a dona Rita conseguiu evitar a vida inteira. Vamos descobrir o segredo dela?
“Fazer o que a gente gosta e até, às vezes, fazendo força para que isso aconteça. Eu acho que o canto é vida, é saúde”, afirma a comerciante Rita Parise, de 81 anos.
Oitenta e um anos muito bem vividos. Viúva, 11 netos, dois bisnetos, cinco filhos. Dona Rita mora com um deles, mas todo serviço de casa ela faz sozinha. Cozinha, dirige, vai às compras e ainda trabalha fora. “Eu nunca baixei hospital na minha vida”, diz.
Dona Rita mora na cidade de Veranópolis, na Serra Gaúcha. A cidade tem 22 mil habitantes, ar puro e grande número de pessoas acima de 70 anos, muito bem dispostas.
“E sou de uma família de origem italiana. A gente tinha que trabalhar no pesado mesmo. Disciplina, se usava muito esse termo. Então, desde pequeno, a gente tinha que trabalhar”, lembra.
E ela levou adiante a disciplina que aprendeu quando era criança sem nunca desanimar. Nem quando ficou viúva, há quase quatro anos.
Ela não sente dor, não tem cansaço, nem remédio costuma tomar.  Aos poucos dona Rita vai revelando o segredo para ficar tão forte. Firmeza, equilíbrio, domina o corpo.
Dona Rita está de segunda a sábado na loja da família. “Eu trabalho com comércio há 61 anos”, conta.
“Ela é uma senhora que tem uma saúde invejável. Ela realmente não tem nenhum fator de risco, tipo pressão alta, diabetes nem colesterol alto”, diz a geriatra Berenice Maria Werle.
A geriatra acompanha a dona Rita há 20 anos e confirma: são vários fatores que fortalecem a saúde dela.
“Do alto dos seus 81 anos, ela tem vários papéis que ela exerce tanto na família quanto na comunidade ao redor dela. Então esta função de ter objetivos ainda, de ter planos” explica a geriatra.
Dona Rita hoje é a coordenadora do coral da igreja, além de trabalhar na loja e em casa.

“Eu tinha tendência para engordar", lembra. Mas quando ia ter o primeiro filho, ela seguiu à risca o conselho da parteira, que vivia dizendo: ‘Tu só come o necessário, faz um prato colorido, com tudo o que tem na mesa, só não repete. Sai da mesa com fome.’

No prato da dona Rita, saladas e um pedacinho de carne. “Massa quase não como. Arroz muito pouco. E há muitos anos que eu vivo assim. Pão também reduzido”, conta.
O almoço em família repete a doce rotina da vida saudável, compartilhada.

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Fonte:http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2017/06/trabalho-amigos-e-ate-beijo-podem-fortalecer-imunidade.html