"A MEDICINA TRADICIONAL ME DECEPCIONOU",AFIRMA ATRIZ CURADA DA DEPRESSÃO

A decepção com os tratamentos tradicionais faz com que cada vez mais pessoas procurem abordagens alternativas.


A decepção com os tratamentos tradicionais faz com que cada vez mais pessoas procurem abordagens alternativas.


“A medicina tradicional me decepcionou”, afirma atriz curada de depressão

Entrevistei a atriz Ana Maria Saad, que possui uma história de vida um tanto interessante. Aos 18 anos ela foi diagnosticada com depressão e, como de costume, buscou os tratamentos tradicionais. Tomou remédios e fez psicanálise por um tempo. O resultado não foi nada bom. Depois de tentar suicídio, ela foi em busca de novos tipos de tratamentos alternativos, que surtiram o efeito que muitas pessoas acreditam ser impossível: a cura dos transtornos mentais.
Ana Maria Saad atualmente possui 33 anos de idade. Ela fundou a ONG Pensamentos Filmados, com o objetivo de trazer à tona o debate sobre a saúde mental através do cinema. Uma discussão geralmente negligenciada pela sociedade. E quando há debate, ele é cheio de preconceitos, julgamentos e tabus.
No seu canal do YouTube ela disponibiliza vídeos onde discute todo o seu processo de cura, te ensinado como seguir esse caminho. Clicando aqui você pode conferi-los. Mas antes, confira a entrevista concedida ao nosso blog.

“Piorei tanto que tentei me matar com todos os remédios que me prescreveram na tentativa de acertarem a dose e a droga.”

Quando você recebeu pela primeira vez seu diagnóstico de depressão?
Aos 18 anos.
Quais causas você atribui aos seus transtornos mentais?
Família disfuncional. Sofri abuso psicológico e até sexual por parte do meu pai, quando criança. Ele era muito perturbado e tinha compulsão sexual. Além de destratar, tirar sarro e humilhar os filhos, ele era violento, fazia do ambiente um inferno! Eu dizia que pior do que não ter pai, era ter meu pai.
E minha mãe sofria de co-dependência, sabe? É quando o indivíduo não percebe os abusos que acontecem, porque acredita que pode mudar o outro, e passa a viver nessa fantasia de que as coisas irão melhorar, negando a realidade e minimizando-a.
Minha mãe era minha heroína. Na verdade, eu e meus irmãos desenvolvemos a ‘Síndrome da Mãe Heroína’, era como se ela fosse a vitima da situação e a gente quisesse protegê-la. Então virou uma zona: filha adolescente fazendo papel de amiga, filho fazendo papel de pai…
E isso fez com eu entrasse na loucura familiar e vivesse na realidade paralela que eles criaram, onde a história era que tínhamos uma vida ótima. Toda vez que tentava falar sobre os fatos de abusos que sofria de meu pai ou como eu me sentia, eu era abafada. Resultado? Desenvolvi transtornos da mente aos 8 anos de idade, mas achava que se sentir mal era o natural…
Pílula da Morte

“Os médicos não tem como saber quem vai piorar – então é tipo loteria ao contrário: tomara que não seja você o premiado!”

Quais tratamentos convencionais você realizou na época?
Fui à psiquiatra que me passou os remédios controlados, antidepressivos, e comecei psicanálise com ela. Acho que fiz uns 3 meses mas tive que parar. Procurei alguém perto da cidade que morava, mas era muito difícil encontrar um profissional qualificado. As psicólogas que passei eram mal preparadas; uma chegou a falar: ‘Nossa, você que tem tudo e está assim?!’
Uma outra psiquiatra que fui, quando estava em crise e aos prantos, mal olhou na minha cara e já me passou remédios.
Esses tratamentos surtiram algum efeito?
Claro, piorei tanto que tentei me matar com todos os remédios que me prescreveram na tentativa de acertarem a dose e a droga. E depois de anos li que o tal Prozac pode causar tendências suicidas em adolescentes, tanto que existem vários processos nos EUA por conta disso. Aliás, existem estudos mais recentes com os antidepressivos que comprovam que de cada 4 pacientes, um vai piorar. E os médicos não tem como saber quem vai piorar – então é tipo loteria ao contrário: tomara que não seja você o premiado!
Pesquisas feitas por cientistas como Irving Kirsch e alguns psiquiatras os deixaram boquiabertos, porque os resultados concluíram que alguns antidepressivos da linha da fluoxetina funcionam como efeito placebo, só que com efeitos colaterais fortes. Tanto que hoje na Inglaterra só há prescrição de antidepressivos pra casos graves de depressão, onde o efeito do remédio é comprovado cientificamente. Para casos leves e moderados eles indicam terapia da linha cognitivo-comportamental, além de exercício físico, porque, cientificamente, remédios tipo fluoxetina não tem comprovação de eficácia. Já aqueles que possuem podem piorar um em cada 4 pacientes, violando o principio primordial da medicina: ‘não causar dano’.

“Ou eu buscava outros caminhos ou morreria. Eu tinha certa resistência com tratamentos alternativos e complementares. Achava que era tudo charlatanismo.”

Por qual motivo você procurou outros tipos de tratamentos alternativos? E quais foram eles?
Eu fiquei muito decepcionada por ter piorado com a medicina convencional. Ou eu buscava outros caminhos ou morreria. Eu tinha certa resistência com tratamentos alternativos e complementares. Achava que era tudo charlatanismo. Eu era bem ignorante, duvidava de tudo, já tinha tentado fitoterapia que também me fez muito mal. Meu organismo é muito sensível.
Tinha tentado massagem, homeopatia, mas eu esperava tipo uma pílula milagrosa, sabe? E tinha essa cobrança da família: ‘Não melhorou ainda?’
Até que já sem esperança eu fui num homeopata e com ele eu melhorei dos sintomas, por quase dois anos. Mas não fui nas causas e as doenças voltaram piores.
Nessa época, eu tinha começado um curso de atuação pra cinema que usava varias técnicas de meditação ativa e bioenergética. O primeiro ano do curso chamava ‘Quem Sou Eu?’ Durante esse curso, que era mais de autoconhecimento do que atuação, eu comecei a me deparar com a minha historia de vida… Memórias começaram a pipocar e eu achei que estava criando-as, pois quando eu estava finalmente entrando em contato com a minha história de vida, a realidade estava vindo à tona. Foi quando achei que estava louca de vez!
Por exemplo, quando as memórias de abusos sexuais e psicológicos vieram à tona eu achei que estava criando memórias, porque minha família vivia tão fora da realidade, que diziam que a gente tinha tido uma infância ótima, então eu achava que a doida era eu mesma, porque as minhas memórias eram de uma infância no inferno. Até que fui conversar com uma irmã minha, com quem tenho muita afinidade, e meio sem jeito contei pra ela: ‘Lu, acho que tô ficando louca mesmo… Estou criando memórias.’ E aí contei pra ela as memórias e ela me disse que eu não era louca, que a gente tinha vivido mesmo no inferno.
Então eu percebi que as técnicas desse estúdio de atuação eram ótimas pra vida pessoal. Lá eu tive contato com Yoga e passei a fazer regularmente. Um amigo meu que era de lá me levou num médico especializado em medicina chinesa, onde fiz acupuntura por um tempo, mas a medicação chinesa, que é fitoterápica, me fez muito mal, então depois que dei uma melhorada fui atrás de terapeutas holísticos que usavam meditação ativa. Fiz meu mapa astral também e durante a leitura a astróloga me perguntou: ‘Você sofreu abuso?’ Aí percebi que realmente eu tinha que me apropriar da minha história de vida, me aceitar e parar de mentir pra mim.
Quando me abri pra essa autoaceitação, encontrei uma terapeuta corporal incrível; fiquei uns 2 anos com ela. Também fazia terapia transpessoal com um psicólogo maravilhoso. Fiquei uns 4 anos com ele e nesse meio tempo fiz constelação familiar – participei de várias sessões, com jogos de autoconhecimento – como MahaLilah. Também fiz terapia de florais com uma médica incrível por cerca de 3 anos, depois desse tempo eu não via melhora e falei: ‘Dra., eu não queria, mas vou procurar um psiquiatra e tentar alopatia de novo’ E ela disse: ‘Ana, me dá só mais 3 meses, se você não melhorar, tudo bem.’
Eu melhorei, acho que por conta do efeito placebo mesmo. Me sentia tão cuidada por ela. A consulta demorava mais de 2 horas e ela queria saber tudo. Ela era tão atenciosa que um dia lhe falei, ‘Os florais ou qualquer outra terapia, se não aplicados por um bom terapeuta humano, de nada adiantam! Os florais me ajudaram porque foi você que receitou.’
E aprendi também a técnica EFT (Acupuntura Emocional sem Agulhas) e Ho’oponopono, que uso até hoje.
Curada de depressão, atriz promove o debate sobre a saúde mental através do cinema - assunto geralmente ignorado pela população.
Curada de depressão, atriz promove o debate sobre a saúde mental através do cinema – assunto geralmente ignorado pela população.
Você está curada hoje da sua depressão?
Sim. E como sei disso? Nesses mais de 3 anos de cura meu externo estava propício pra recaídas: tive problemas no âmbito familiar, profissional, amoroso, financeiro, decepções fortes com pessoas que amava e dificuldades em todos os setores da minha vida, mas a doença não existe mais em mim, então não houve recaída. Só o sofrimento natural e saudável da vida que impulsiona o crescimento.
E não foi só depressão que tive. Eu tinha fases de hipomania, tive pânico, compulsão alimentar, fobia social, e cheguei até a ouvir vozes.
Aí fui estudar muito as doenças da mente, para entender porque eu fiquei 5 anos com a medicina convencional e piorei. Então, num livro do psiquiatra Dr. Diogo Lara li que mais de 50% dos casos diagnosticados como depressão unipolar na verdade são de bipolaridade, porque o espectro é amplo, tem bipolar do tipo I, o clássico, até o tipo IV. E ele diz que pessoas geralmente de temperamento mais impulsivo tendem a desenvolver bipolaridade, já pessoas de temperamento mais brando tendem à depressão. Então a gente fala ‘depressão’, mas a verdade é que a psiquiatria não é uma ciência exata, logo o diagnóstico também não é.
Assim, quando entendi que tinha de fato uma doença da mente, mas parei de procurar rótulos e foquei no meu potencial de saúde, entrei no caminho rumo à cura, que é um caminho único pra cada um e longo!
Psicanálise

“Linhas tipo análise apenas são boas até a página 5. Elas precisam ser complementadas por terapias que usam o corpo, pois a mente mente muito e fica difícil transformar e acender a luz interna só com análise.”

Por que é possível se curar da depressão?
Porque a doença está na mente, mas a gente não é a mente. Precisamos colocá-la a nosso serviço. Esse é o principio do despertar o eu-observador, algo milenar que os mestres orientais vêm tentando nos ensinar: precisamos deixar de ser reféns das nossas mentes… E a meditação é o caminho. Dentro de cada um existe uma testemunha interna, que se estiver no controle, conduz nossa vida e acende a luz dentro de nós, e uma vez que a luz for acesa a escuridão se dissipa.
Quais tipos de preconceitos você já sofreu?
Julgamentos. Que era falta de Deus, falta de dar valor pra o que eu tinha, egoísmo, frescura, preguiça. Meu irmão chegou a falar que eu manipulava a família usando a doença e que ficava me fazendo de vítima.
Pra mim, a dificuldade maior foi com a família, porque o fato de ter adoecido foi só o sintoma de que o grupo todo não estava bem. E a dor de cada um era tanta que eles não conseguiram lidar com meu processo, então me julgavam muito. Porém, tive bastante ajuda de amigos, se não fossem eles não estaria aqui hoje.
E minha mãe teve um crescimento incrível. É lindo ver como ela se abriu pras mudanças e como o amor dela falou mais alto, porque errar é humano mas reconhecer o próprio erro é super-humano, e ela teve esse processo belíssimo. Deve ter doído muito, mas ela se transformou. Minha avó materna, que era incrível, sempre me apoiou, assim como o meu avô. E uma das minha irmãs aproveitou meu processo pra fazer o dela e ganhar saúde também, porque em casa todo mundo ficou meio sequelado do ambiente disfuncional, é que eu fiquei doente no nível incapacitante mesmo, mas todos foram afetados.
Ana aderiu práticas de meditação e Yoga, mudando o seu estilo de vida. A combinação dos tratamentos convencionais com alternativos é chamada de Medicina Integrativa.
Ana aderiu práticas de meditação e Yoga, mudando o seu estilo de vida. A combinação dos tratamentos convencionais com alternativos é chamada de Medicina Integrativa.
Qual é a chave da cura das doenças mentais?
Cada um tem que encontrar o próprio caminho, mas o atalho é a medicina integrativa, uma medicina humanizada que já é adotada nas áreas de oncologia de hospitais famosos como Sírio Libanês e Albert Einstein, que tem até pós-graduação no tema. E na área da saúde mental ainda não é aplicada, mas o doente pode fazer isso por conta própria, como eu fiz.
A Medicina Integrativa é a combinação de tratamentos convencionais, alternativos e complementares, onde o foco é no ser humano por trás da doença, e não na enfermidade.O paciente é o principal agente de cura, e não só o doente ‘coitadinho’ que espera que os especialistas façam algo por ele. Na verdade ele deixa de ser paciente pra ser impaciente e busca ativamente mudança no estilo de vida.
Quer se curar? A pessoa tem que combinar tratamentos e querer muito melhorar. Eu tive que chegar no fundo do poço pra querer. Um dia eu li uma frase: ‘Chega uma hora na vida da pessoa que ou ela se mata, ou enlouquece ou vai meditar’, e entendi que teria que ter muita disciplina, em primeiro lugar, para mudar meu estilo de vida e colocar no dia-a-dia técnicas e praticas que geram saúde, porque eu era sedentária, fumante, bebia muita bebida alcoólica e queria a todo custo me encaixar na vida normaloidica pra agradar a família.
Com o Yoga, por exemplo, mudei todos os hábitos nocivos, porque depois de meses meu corpo falou: ‘Ou você para com esse Yoga ou vai pra vida saudável de vez e para de beber e fumar’. Eu fui para a vida saudável e passei a praticar exercício físico.
Então para encontrar a cura, além da disciplina, existem três portas que precisam ser abertas: autoeducação, autoconhecimento e despertar do eu-observador. Tudo feito com terapeutas e linhas que usem o corpo também, porque linhas tipo análise apenas são boas até a página 5, mas precisam ser complementadas por terapias que usam o corpo, pois a mente mente muito e fica difícil transformar e acender a luz interna só com análise.
Concepção de "desequilíbrio bioquímico" faz com que o tratamento fique restrito à medicação.
Concepção de “desequilíbrio bioquímico” faz com que o tratamento fique restrito à medicação.
Muitos profissionais da saúde dizem que a depressão é uma doença crônica e incurável, sendo ocasionada com um desequilíbrio químico no cérebro. Qual é a sua resposta para essas afirmações?
Vão estudar para sair da mediocridade! Busquem conhecimento aprofundado e apliquem pensamento crítico, para não engolir o que alguns estudos tendenciosos com interesses bilionários apresentam.
Não existe comprovação científica definitiva pra tal afirmação. Ela ficou famosa por causa do marketing de um livro chamado ‘Listening to Prozac’ e do cineasta Woody Allen que ficou endeusando o antidepressivo, na época em que ele foi lançado, como a pílula milagrosa vendida pra sanar um problema no cérebro.
Um profissional que afirma isso está equivocado e não conhece a ciência da epigenética e outros estudos científicos que mostram como fatores externos influenciam na saúde em geral.
Um médico tem um site chamado ‘Bad Science’, onde ele alerta pra esse tipo de pseudociência que o FDA encoraja devido ao modo arbitrário que os remédios são aprovados.
Então é ficar alerta pra não cair na pseudociência e buscar conhecer os novos estudos, porque a própria ciência está se auto-corrigindo a todo momento.

“Você pode usar essa doença como seu casulo para o seu desabrochar… Ou ficar se arrastando na revolta, na vitimização, na arrogância, refém da sua mente doente.”

Se você pudesse falar algo para quem sofre de algum transtorno mental, o que falaria?
Se você adoeceu a vida está querendo te ensinar alguma coisa, esse é o modo que ela usa pra nos ajudar a desabrochar. Repare na natureza: a lagarta se enfia no casulo, fica lá isolada, apertadona e de repente sai voando como uma borboleta! Você pode usar essa doença como seu casulo para o seu desabrochar… Ou ficar se arrastando na revolta, na vitimização, na arrogância, refém da sua mente doente.
Mesmo quando a gente tá na m#%+@ existe um lado que nos segura ali: o quentinho dela! Mas se você realmente quer sair desse quentinho da b%#$@, se você acredita que você é mais que uma doença, acompanha meus vídeos Saúde da Mente no Youtube (https://www.youtube.com/playlist?list=PLLXjrHQNVr8pTcTFVng_2Zb7QUR9IHIxr). No final de outubro teremos um congresso on-line de graça com vários especialistas pra te mostrar técnicas que promovem saúde e para te ajudar a desenvolver disciplina, enquanto você abre as portas da autoeducação, autoconhecimento e desperta seu eu-observador! Se você quer melhorar, é possível!
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Fonte:http://pensaralem.wordpress.com/2014/08/11/