HOMEOPATIA : UMA INTRODUÇÃO À ARTE DE CURAR PELA NATUREZA


Há 200 anos surgiam os medicamentos homeopáticos, que até hoje a maioria dos cientistas não engole, dizendo que são pura água. Mas muita gente acredita neles e alguns médicos se esforçam para provar sua eficácia.
 
O remédio é parecido com a doença
Tosse, febre, espirros, dor de cabeça? A culpa é do vírus da gripe, poderá dizer, de cara, um médico convencional. O homeopata, não. Para ele, o vilão, qualquer que seja a doença, é a falta de energia no organismo. E o remédio também não muda. A receita é sempre gotas de água ou bolinhas de açúcar (impregnadas de água). Nenhum dos princípios da Biologia ou da Química justifica essa terapia. Mas o mundo está cheio de gente garantindo que dá certo. E aumentam os casos de cura comprovada, um tremendo mal-estar para a ciência.
Graças ao sucesso de público, os Estados Unidos resolveram ignorar a crítica. Há menos de um ano, a homeopatia foi reconhecida como área médica pelo rígido Instituto Nacional de Saúde. Mesmo assim, a agência que controla os medicamentos no país, a poderosa FDA, continua afirmando que seus remédios não passam de ilusão.
Na França há uma contradição parecida. Lá, o homeopata não faz parte da medicina oficial, mas seus remédios já são aprovados e até reembolsados pelo governo. No Brasil, por sua vez, a prática é devidamente regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina há dezesseis anos. No entanto, do Oiapoque ao Chuí não existe uma faculdade sequer que a inclua no currículo dos cursos de graduação. Apesar disso, é impossível fechar os olhos para o fenômeno homeopatia. Dois séculos de combate não abalaram sua popularidade.
As idéias dessa medicina surgiram com o alemão Christian Samuel Hahnemann (1755-1843). Por uma década ele foi um médico conven-cional, seguindo a chamada alopatia. Mas, traumatizado de tanto ver gente morrer em conseqüência dos tratamentos aplicados, resolveu jogar tudo para o alto em 1789, quando tinha 34 anos. Decidiu ganhar dinheiro com tradução, já que falava sete línguas.
“No tempo dele a doença era vista como uma entidade que invadia o corpo e precisava ser eliminada pelas excreções”, explica o médico Marcelo Pustiglione, que ensina os princípios de Hahnemann no curso do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo. “As sanguessugas, vermes cheios de ventosas, eram peças-chave de qualquer tratamento.” As escolas médicas proclamavam que o melhor jeito de cuidar de uma fratura era deixar o indivíduo sangrar até perder a consciência. Desse modo, ele não incharia tanto, nem berraria de dor.
Cobaias humanas
Em meio aos livros sobre várias áreas da ciência que Hahnemann traduziu, um chamou a sua atenção, em 1790. Dizia que a quina, substância extraída da casca de certas árvores, baixava a febre porque fortificava o aparelho digestivo. Uma teoria muito estranha para um grande conhecedor de Química. Curioso, o tradutor passou a experimentador, tomando a droga diariamente, só para ver no que dava.
Em vez de mexer com o estômago, a quina provocou febre, delírios e outros sintomas parecidos com os da malária. E ela era usada justamente no tratamento dessa doença tropical, o que podia ser mera coincidência. Ressabiado, o médico mergulhou na investigação. Largou os livros e tudo o mais. Aproveitando-se de uma incrível habilidade para convencer amigos e parentes a servir de cobaia, passou os seis anos seguintes experimentando neles e em si próprio aquele e outros vinte medicamentos muito comuns na época. Em todos os casos, os remédios causavam os mesmos sintomas das doenças que curavam, quando eram dados a indivíduos saudáveis.
Hahnemann achou a explicação para o fenômeno nos escritos antigos de Hipócrates (460 a.C.-375 a.C.). Para o grego, considerado o pai da Medicina, não eram apenas os contrários que curavam. Hipócrates sabia que algo com efeito oposto ao da doença poderia fazê-la desaparecer, o que aliás é um dos fundamentos da chamada alopatia (veja quadro à esquerda). Mas afirmava que também os similares curavam. Segundo ele, indivíduos que viviam tossindo se livravam do problema contraindo uma doença que igualmente causasse a tosse. Entusiasmado com essa idéia, Hahnemann escreveu o “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais”. O texto, que marca o início da homeopatia, foi publicado em setembro de 1796 no Jornal de Hufeland, então a principal revista médica alemã.
Durante catorze anos, Hahnemann testou centenas de drogas para ver seus efeitos em organismos saudáveis. Só então, em 1810, ele publicou sua principal obra, o Organon, em que descreveu os princípios de sua medicina. Um deles é a causa de toda a polêmica: a aplicação de remédios tão diluídos que, pode-se dizer, quimicamente não são nada ou quase nada além de água.

O que os químicos não vêem
Hahnemann não diluía seus medicamentos aleatoriamente. “Como notou que as substâncias tinham efeitos semelhantes aos sintomas das doenças, ele queria evitar que o estado do paciente se agravasse após ser medicado”, explica o ho-meopata Romeu Carillo Júnior.
O criador da homeopatia fazia diluições na proporção de uma molécula de uma solução qualquer com o remédio para 99 moléculas de água e álcool (veja quadro abaixo).
Quando repetia esse processo mais de doze vezes, ultrapassava uma barreira sagrada da Química, a do número de Avogrado, usado para indicar a quantidade de moléculas existente em 1 grama de qualquer substância. Nas fórmulas acima de 12 CH (centesimais hahnemanianas, unidade do número de diluições), os químicos não acham nenhuma molécula de remédio por grama de H O.
“Ali só existe mesmo água”, diz o médico alopata Isaías Raw, diretor do Instituto Butantan em São Paulo. “Apelar para a homeopatia é acreditar em fantasma.” Romeu Carillo Júnior rebate: “Os químicos nunca explicarão o sucesso desses remédios porque eles têm algo diferente em seu campo magnético. Isso só os físicos conseguirão provar” (entenda essa teoria no infográfico da página 60). Todo ano, a Unidade de Homeopatia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, onde Carillo trabalha, recebe cerca de 4 500 pacientes. Ali, os médicos são unicistas, isto é, não importa a quantidade de queixas, o doente sairá com a receita de um único medicamento. Mas existem também médicos pluralistas, que indicam vários remédios de uma só vez.
Precisa de receita médica
O problema é que nem tudo é mui-to definido na homeopatia. Por exemplo: há unicistas e unicistas. Alguns acreditam que cada indivíduo tem a personalidade e o tipo físico de um determinado medicamento, o seu simillum (ou similar, em latim). E acham que ele é a solução de todos os seus males para o resto da vida. “Esses médicos pegam os ensinamentos de Hahnemann ao pé da letra”, diz Carillo Júnior, que pertence ao outro grupo de unicistas. “O criador da homeopatia usava uma fórmula de cada vez porque queria avaliar os efeitos do tratamento. De fato, é difícil analisar resultados se você usa várias medicações ao mesmo tempo. Em uma consulta o paciente pode sair com uma receita única e na consulta seguinte, com outra.”
As longas conversas entre médico e paciente são cruciais. “Muita gente acha que tomar fórmula homeopática sem indicação não é perigoso”, diz a professora Maria Isabel de Almeida Prado. “Isso não é verdade.” Segundo a especialista, que é uma das responsáveis pelo curso de pós-graduação em Homeopatia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, justamente por criarem doenças artificiais esses remédios podem causar encrenca quando mal-empregados. “A beladona é excelente para curar certas amigdalites”, exemplifica. “Mas, quando alguém sem essa inflamação ingere a substância, surge a febre e os vasos sangüíneos ficam dilatados.” O efeito já era conhecido das moças vaidosas do século XVIII, daí o nome, que vem de bella donna (mulher bonita, em italiano). Elas tomavam o chá da planta, que causava rubor na face, para criar a impressão de maquiagem.
Anotações duvidosas
Segundo Maria Isabel, existem mais de 2 500 medicamentos homeopáticos, feitos a partir de animais, vegetais ou minerais. “Todos podem ser preparados em qualquer concentração”, explica. Acredita-se que, durante sua vida, Hahnemann fez diluições entre 6 e 30 CH. Só na sexta e última edição de seu livro Organon, que seus herdeiros publicaram em 1921, 86 anos depois de sua morte, aparecem anotações de fórmulas diluídas até 50 CH. Muita gente duvida que elas tenham sido feitas pelo punho do médico alemão.
“Hoje, há quem prescreva 400 CH, 800 CH, 1 000 CH”, conta a farmacêutica. Principalmente os homeopatas da Argentina – país onde a homeopatia mais se desenvolveu, ao lado do Brasil, da França e do México – defendem que as superdiluições são mais eficazes no tratamento de problemas psíquicos, enquanto aquelas mais baixas são adequadas para os distúrbios físicos. “As superdiluições não são necessárias”, discorda Maria Isabel. “Elas exigem equipamentos sofisticados e só encarecem o remédio.”

Estudos acendem a polêmica
Para os homeopatas, avaliar os resultados de uma diluição ou de outra não é fácil. “Se fôssemos traçar o gráfico da ação de um remédio, ele seria um sobe-e-desce”, explica a professora Maria Isabel, da USP. “Na medida em que você dilui uma medicação cada vez mais, o efeito primeiro aumenta, depois diminui, em seguida volta a subir. E assim vai.” O curioso, segundo a farmacêutica, é que observando tantas curvas é possível pensar que, no final das contas, as superdi- luições podem ter o mesmo efeito de uma fórmula mais concentrada, como a 6 CH. “O problema é que ninguém conhece a razão do fenômeno e essa falta de padrão – conforme a diluição um remédio funciona ou não funciona – complica uma avaliação científica do nosso trabalho.”
O ginecologista homeopata Nicolau Caivano Neto acha importante que todo caso seja documentado. “Já passou o tempo em que o homeopata não pedia exames clínicos e laboratoriais”, diz o médico. “Eles não só servem para a gente saber exatamente as características de um problema, como para acompanhar os resultados.” Em seu ponto de vista essa documentação, mais dia, menos dia, forçará a comunidade científica a examinar a homeopatia mais a fundo, de modo a entender seus mecanismos. “O fato é que muitos criticam, mas ninguém quer investigar os casos que deram certo”, fala Caivano, que também pratica a alopatia. “Dou à paciente a opção de se tratar de um jeito ou de outro. Para o futuro, essa é uma tendência.”
O caso da beladona
Quando é cavado algum espaço para a homeopatia em laboratórios científicos sérios, explodem as críticas. A maioria acusa seus tratamentos de ter efeito psicológico (veja quadro à direita). O escândalo mais notório ocorreu há dez anos, em 1986, quando a revista inglesa Nature publicou em sua edição de dezembro um trabalho do imunologista francês Jacques Benveniste. Diretor do conceituado Inserm (a sigla em francês para Instituto Científico de Estudos e Pesquisas Médicas), o alopata Benveniste estudava alergias em geral e resolveu fazer uma pesquisa sobre a ação de dois remédios homeopáticos à base de beladona e de ferro fosfórico. “Eu também era cético quando comecei a testar esses produtos”, disse à SUPER. “A minha cultura científica me levava a pensar que tudo não passava de placebo, algo com efeito imaginário. Resolvi fazer a experiência justamente para pôr uma pedra no assunto.”
A equipe de Benveniste observou, em tubos de ensaio, células chamadas neutrófilos. Parte do sistema imunológico, elas liberam moléculas de radicais livres, desencadeando as inflamações. Os cientistas estimularam a produção desses radicais. Depois, pingaram algumas gotas das substâncias em análise. “As duas fórmulas reduziram a liberação daquelas moléculas em 25%”, conta Benveniste. Um antiinflamatório alopático provoca uma redução maior, em torno de 40%.
Em uma segunda experiência com amostras do sangue de pacientes alérgicos, o grupo francês testou outra medicação homeopática, à base do veneno de abelhas. “Durante as crises alérgicas, certas estruturas celulares chamadas basófilos se modificam”, explica o médico. “O que notamos é que o veneno de abelha diminuía essa
reação celular, indicando que poderia atenuar as crises. E, quanto maior a diluição, maior era esse efeito.” Ao serem publicados na Nature, os trabalhos provocaram uma chuva de mais de trezentas cartas e telefonemas criticando a atitude da revista que, por ser científica, na opinião desses leitores não deveria dar crédito a um estudo sobre a homeopatia.
“Tínhamos de checar se havia um erro ou não. E parece que erramos”, fala o inglês John Maddox, hoje aposentado, mas que na época dirigia a publicação. Maddox, acompanhado de um especialista em fraudes científicas e um mágico famoso na época, foi até o laboratório francês à caça de alguma maracutaia. Ao repetir a experiência diante do trio, Benveniste não obteve os mesmos resultados. A revista pediu desculpas ao público em seu editorial. E Benveniste só agora está retomando seu espaço nos meios científicos. “Achei estranho e preconceituoso existir um mágico na equipe de investigação”, diz o pesquisador francês. “Continuo assumindo os primeiros resultados. Não digo que a homeopatia funciona. Só posso dizer que aqueles produtos que testei têm, de fato, algum efeito biológico.”

PARA SABER MAIS

Organon da Arte de Curar, Samuel Hahnemann, versão comentada por Marcelo Pustiglione e Romeu Carillo Júnior, Editora Homeopatia Hoje, São Paulo, 1994.
O que é Homeopatia, Flávio Dantas, Editora Brasiliense, São Paulo, 1984.

EXPOSIÇÃO:

Museu Histórico Nacional, Praça Marechal Âncora, s/número, tel. 021 220 5450, Rio de Janeiro. Funciona das 10 às 17h30.

Dois caminhos para tratar o mesmo mal

Veja como alopatas e homeopatas encaram uma dor de cabeça.
A queixa

Mal conseguindo abrir os olhos de tanta dor de cabeça, o paciente vai ao médico.

Homeopatia
O nome, de origem grega, quer dizer “igual à doença”. A dor deve ser curada por um remédio que provoque outra dor.

A causa
Sempre será um desequilíbrio energético de todo o organismo.

A consulta
É o momento estratégico do tratamento. Em uma longa entrevista, o médico cava informações sobre o estado emocional do doente. Investiga o que ele está sentindo, qualquer sintoma físico ou psíquico. Também leva em consideração a dieta, o clima, até a luminosidade no ambiente de trabalho.

O tratamento
As informações levam a um remédio capaz de provocar o mesmo conjunto de sintomas físicos e mentais, inclusive a dor. O medicamento deve fazer o corpo acionar suas defesas naturais contra os distúrbios.

Alopatia
O nome, que também vem do grego, significa “oposto à doença”. O sintoma e suas causas são combatidos com drogas contra eles.

A causa
Poderá ser externa (um vírus da gripe) ou interna (um distúrbio localizado).

A consulta
O paciente conta o que sente, onde dói e de que maneira. O foco é no problema em si. Outros sintomas, psíquicos ou físicos, não são necessariamente considerados importantes.

O tratamento
O médico ataca o problema com remédios contra o sintoma e pode incluir na receita outras drogas contra doenças que, sabe-se, causam aquele tipo de dor. A medicação age por si. Não há preocupação em estimular o corpo a se defender.

A arte de fazer gotas e bolinhas

Conheça o passo-a-passo da fabricação dos remédios.
A trituração

Esta etapa só existe quando a matéria-prima se encontra em estado sólido, como o índigo, o pó azul na foto. A substância é misturada com a lactose, o pó branco. Esse açúcar do leite ajuda a triturar qualquer material.

Hora de pesar
Se o medicamento é líquido, como as tinturas de plantas, o processo já começa nesse ponto. Tudo passa pela balança. Pelo peso, os farmacêuticos chegam à proporção de uma molécula do remédio para cada 99 moléculas da solução de água destilada e álcool.

A agitação
É conhecida por dinamização. Sobre um travesseiro, para não machucar as mãos, o farmacêutico sacode 100 vezes o frasco que contém a diluição. Não se sabe por que esse número. Mas os homeopatas garantem que, sem ser dinamizado, o remédio não terá o mesmo efeito.

Nova diluição
A balança volta à cena. É preciso pesar para obter a proporção de uma molécula da primeira diluição para cada 99 moléculas de uma solução fresquinha de água e álcool. Então, pode-se dizer que o remédio tem 2 CH (centesimais hahnemanianas, que são unidades de diluição).

Tudo outra vez
Na realidade, os remédios homeopáticos têm sempre acima de 6 CH. Ou seja, são diluídos seis vezes naquela proporção de um para 99 e, depois de cada diluição, também são sacudidos 100 vezes. Acima de 12 CH, o remédio é pura água do ponto de vista químico

Água com açúcar
Em gotas ou em glóbulos de açúcar (as bolinhas), o efeito é o mesmo. O paciente é quem decide que forma prefere tomar. A versão em gotas fica pronta assim que termina a última sessão de agito. Já os glóbulos devem ser impregnados com a diluição, como na foto.

A teoria é de que a água cura porque tem memória

Como ela adquire princípios ativos, segundo os homeopatas.

Primeiro contato

As moléculas de água, álcool e medicamento se misturariam homogeneamente.

Mistura de campos
Quando a solução é agitada, os campos eletromagnéticos ao redor delas se cruzariam.

Marcada para sempre
O campo eletromagnético da água passaria a vibrar como se a molécula do remédio estivesse presente, provocando sérias reações no organismo.

Nas glândulas
A água começaria a agir como a droga acionando glândulas do corpo.

Nas defesas
Os estímulos nervosos e hormonais aumentariam a eficácia do sistema imunológico

Nas emoções
Tudo levaria a uma melhora do estado emocional, que também influenciaria o corpo.

Efeitos reais ou ilusórios?

Dois estudos recentes tiveram resultados completamente opostos. Os dois levantavam a mesma questão: afinal, será que os tratamentos homeopáticos funcionam porque têm efeito psicológico? No ano passado, o médico escocês David Reilly, do Instituto de Homeopatia de Glasgow, Escócia, fez uma pesquisa com trinta pacientes alérgicos e publicou os resultados no English Medical Journal. Segundo relatou, sem saber de nada, metade dos pacientes recebeu placebo, um falso remédio, e a outra metade recebeu medicação homeopática. A incidência de cura na turma medicada foi 60% maior do que no restante, sinal de que o remédio agia além da esfera meramente psicológica.
Mas em outra publicação britânica especializada, a célebre The Lancet, o epidemiologista francês Daniel Swartz divulgou um trabalho com seiscentas pessoas que passaram por cirurgias abdominais. Esse tipo de operação causa uma paralisia temporária do intestino. Segundo ele, a metade que tomou ópio, remédio indicado pelos homeopatas para melhorar a função intestinal, demorou 95 horas, em média, para se recuperar. O mesmo prazo de quem engoliu gotinhas falsas.

Fonte:http://super.abril.com.br/saude/homeopaticos-agua-pura-sera-cura-436711.shtml

O poder das bolinhas




Os tratamentos com glóbulos de açúcar e soluções ultradiluídas, prescritos pela homeopatia, provocam desconfiança em muita gente. Mas atenção: pesquisas recentes sugerem que os remédios homeopáticos funcionam.



               Há quatro anos, o químico Shui Yin Lo entrou pela primeira vez no laboratório de jatopropulsão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, o Caltech, na cidade americana de Pasadena, com um crachá de pesquisador visitante na camisa e uma idéia ambiciosa na cabeça. Sua intenção: desenvolver um aditivo que iria revolucionar o desempenho dos motores de automóveis, tornando-os mais potentes e econômicos. À frente de uma equipe de físicos e químicos, Lo trabalhou duro por alguns meses, mas, no final, chegou a um resultado apenas razoável. Patrocinado pela American Technologies Group, empresa da Califórnia que depois o contrataria como seu diretor de pesquisa e desenvolvimento, ele concebeu a fórmula do The Force, um aditivo que, por não ser assim tão diferente dos concorrentes, acabou fracassando.
Se não conseguiu vincular seu nome a nenhum invento extraordinário no mundo dos transportes, o cientista saiu do Caltech como autor de uma descoberta que pode apressar o desfecho de uma das mais acirradas polêmicas da área médica: a controvérsia sobre a eficácia da homeopatia, sistema terapêutico criado no século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann.
Na contramão da medicina convencional – a chamada alopatia –, que combate enfermidades com remédios que provocam no organismo o oposto dos sintomas da doença –, a homeopatia surpreende ao prescrever tratamentos com substâncias que podem causar no homem sadio exatamente os sintomas do mal a ser debelado. Diante de alguém com dor de cabeça, um homeopata jamais receitará aspirina, um analgésico, como faria um médico alopata. Ao contrário, poderá indicar ao paciente uma solução à base de gelsêmio, planta venenosa que ataca os centros nervosos, provocando dor e disfunções mentais – é o que os homeopatas chamam de “princípio da similitude”. Outra diferença gritante da homeopatia em relação à prática médica habitual está no preparo dos remédios. Suas fórmulas são tão diluídas, que muita gente duvida que exerçam alguma ação no organismo.
Dificilmente uma dessas substâncias produziria dano a quem se expusesse a uma overdose ou tomasse o remédio errado, o que não ocorre, obviamente, se alguém ingerir por engano um comprimido contra hipertensão. Enfim, para um homeopata, a doença, qualquer que seja, é vista sempre como a manifestação de um desequilíbrio energético e não resultado da ação de bactérias e vírus, conforme ensina a medicina convencional. O remédio diluído seria, assim, o agente que ajuda a promover o reequilíbrio de um sistema de forças, estimulando as defesas naturais do organismo.
Estranho? Pode ser. Mas a cada dia cresce o número de pessoas que adotam os procedimentos homeopáticos e se dizem satisfeitas com os resultados no combate a diversas doenças. Só nos Estados Unidos, onde a tecnologia de ponta e a pesquisa intensiva sustentam a medicina alopática mais avançada do mundo, o total de homeopatas em atividade saltou de 300 para 5 000 nas últimas duas décadas, enquanto as vendas de bolinhas e gotinhas subiram 30%. No mesmo período, a Europa assistiu à multiplicação de clínicas e hospitais especializados e o Brasil, país onde atuam mais de 10 000 homeopatas, viu a homeopatia ser reconhecida como especialidade médica, com direito a representação no Conselho Federal de Medicina. Tamanho aumento da procura e os sinais de aprovação dos usuários, porém, não livraram os homeopatas de um velho incômodo: a oposição do establishment médico e da maioria dos pesquisadores, para os quais até agora ninguém conseguiu provar, à luz da ciência, que a homeopatia de fato funciona.
“Os remédios dinamizados (ultradiluídos), propostos por Hahnemann não passam de água pura ou bolinhas de açúcar. Homeopatia é fraude”, afirma Stephen Barret, membro do Conselho Nacional para Informações Confiáveis na Área da Saúde, de Allentown, Estados Unidos. O argumento de Barret é o de que exames químicos nunca identificaram nas fórmulas homeopáticas uma única molécula de essência medicinal. A recuperação de pacientes medicados com tais substâncias, segundo os críticos, só pode ser atribuída a erros de avaliação ou ao efeito placebo – a cura psicológica que ocorre quando o paciente se convence de que irá melhorar, mesmo que o medicamento seja inócuo. Os homeopatas sempre tiveram aí o seu calcanhar-de-aquiles. A impossibilidade de comprovar em laboratório conceitos como força vital e transporte de informação energética, usados para explicar a ação dos medicamentos dinamizados, constitui o maior obstáculo ao diálogo entre a homeopatia e a medicina alopática moderna, baseada em evidências.
Mas é justamente esse impasse que pode ter ficado mais próximo do fim após o achado de Shui Yin Lo.
Lo queria somente encontrar o aditivo perfeito; mas, ao estudar o comportamento molecular da água em soluções que ultrapassam o número de Avogadro – a lei da química segundo a qual depois da décima segunda diluição não existem mais moléculas da substância dissolvida presentes no líquido diluente –, ele percebeu que se encontrava em outra trilha. Através das lentes do microscópio eletrônico, o químico descobriu que as moléculas de água, normalmente dispostas de modo aleatório em estado normal, após a ultradiluição passaram a formar “cachos” de seis a 100 unidades, todos alinhados de forma original e exibindo características específicas, como campo elétrico singular e adesão firme a superfícies. Ainda mais impressionante é o fato de que tais cachos se replicavam a cada nova diluição, mesmo que na água não mais existissem resquícios da substância adicionada no início.
Não se trata de uma experiência isolada. Em novembro passado, o químico alemão Kurt Geckeler e seu colega Shashadhar Samal esbarraram em efeito semelhante ao estudar o comportamento de diluições de fulerenos – um material formado por átomos de carbono – no Instituto de Ciência e Tecnologia de Kwangju, na Coréia do Sul. Eles constataram que a cada nova diluição mais as moléculas se aglomeravam. O mesmo fenômeno foi observado em diluições de moléculas orgânicas, como a ciclodextrina, e inorgânicas, como o cloreto de sódio. Ou seja, há uma base cada vez mais firme para a crença contra-intuitiva de que uma substância pode se tornar mais potente ao ser diluída e a de que uma molécula ultradiluída pode mesmo alterar as propriedades da água.
Em outro estudo recente, realizado na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, o imunologista Benjamin Bonavida constatou que a água com cachos moleculares – descoberta por Lo – possui outra característica, não menos surpreendente: a solução é capaz de estimular células do sistema imunológico, em tubos de ensaio, até 100 vezes mais do que água pura, revelando assim uma atividade biológica que ainda está para ser explicada.
Essas novas pesquisas deram impulso aos que querem ver a homeopatia reconhecida pela ciência. Em suas diluições, Lo usou as mesmas técnicas da farmacotécnica homeopática, como os movimentos centesimais, sempre rompendo a barreira do número de Avogadro. “A pesquisa mostra que as soluções homeopáticas não são água comum, mas um líquido alterado em sua estrutura que realmente pode modificar tecidos, órgãos e todo o corpo”, afirma William Gray, homeopata de San Francisco, Estados Unidos, e autor do livro Homeopathy: Science or Myth? (“Homeopatia: ciência ou mito?”, não traduzido para o português). Desde o início, a teoria homeopática tem afirmado que, nas soluções ultradiluídas, a água guarda a “imagem” do soluto (a substância dissolvida), tornando-se um veículo de transmissão de suas propriedades ainda que não mais contenha moléculas da substância original.
A experimentação clínica também já havia dado a Hahnemann, no século XVIII, a certeza de que quanto mais diluída a fórmula, maior a sua potência medicinal, algo que só agora ganha uma explicação aceitável pela ciência acadêmica, com a descoberta dos cachos auto-replicantes.
Os novos estudos não estão imunes a críticas de quem exige mais provas em favor da homeopatia. “Dizer que essa experiência comprova a eficácia dos remédios homeopáticos é uma tolice”, afirma Barret. “Se uma simples molécula de alguma substância pode imprimir à água propriedades medicinais, então teremos de admitir que ao tomarmos um copo d’água estamos ingerindo um remédio poderoso e de efeito imprevisível”, diz (os homeopatas rebatem afirmando que as fórmulas dinamizadas utilizam água destilada e são submetidas a vigorosos movimentos que facilitam a transferência da informação molecular). O próprio Bonavida prefere admitir que o fato de a água com cachos apresentar atividade imunobiológica não significa necessariamente a comprovação definitiva dos preceitos homeopáticos.
De qualquer modo, os experimentos colocam a homeopatia mais próxima da validação científica. No passado, outras pesquisas do gênero não exibiram o mesmo vigor. Há 13 anos, o biólogo Jacques Beneviste, pesquisador do renomado instituto francês Inserm, chamou a atenção da comunidade médica ao publicar na revista Nature seus estudos com uma solução ultradiluída de soro contra imunoglobulina que sugeriam a existência de uma certa “memória da água”. A teoria acabou esbarrando no rigor dos cientistas. Na época, Beneviste disse ter comprovado um efeito imunobiológico da solução sobre células brancas do sangue, em comparação com grupos de controle – uma descoberta que, por inferência, confirmaria a ação dos fármacos homeopáticos no organismo. Mas a experiência não pôde ser repetida por outros pesquisadores e acabou descartada no circuito acadêmico.
Outro ponto polêmico da homeopatia, a cura pela lei dos semelhantes, também ganhou nos últimos tempos explicações atualizadas. O princípio da similitude não é uma invenção de Hahnemannn e sim do filósofo grego Hipócrates (460-377 a.C.), considerado o pai da medicina. Sua utilização em homeopatia, no entanto, sempre ocorreu de modo empírico, já que até há pouco nenhuma teoria conseguia mostrar de forma plausível como a cura pelo semelhante podia acontecer. Agora, busca-se uma resposta a partir das reações do organismo aos próprios medicamentos alopáticos, cuja atuação se baseia na lei dos contrários.
A hipótese preferida dos homeopatas é a de que a cura decorre da reação secundária do organismo à substância farmacológica – o chamado efeito rebote. O exemplo mais comum desse fenômeno é a exacerbação dos sintomas de algumas doenças sempre que o paciente suspende a medicação que vinha tomando ou passa a tomá-la de modo irregular. Isso acontece com as drogas utilizadas para controlar a hipertensão arterial, os tranqüilizantes e antidepressivos, os broncodilatadores e até com antiácidos empregados contra gastrites e úlceras. Num esforço para manter a homeostase – o equilíbrio do meio interno –, nessas ocasiões o organismo reage promovendo sintomas opostos aos esperados com a aplicação do remédio.
“O efeito rebote é a reação da energia vital, que pode ser estimulada pelo medicamento homeopático sem os incômodos dos remédios alopáticos”, diz Célia Barollo, diretora da Associação Paulista de Homeopatia. Essa relação é discutida no livro Semelhante Cura Semelhante, do homeopata Marcus Zulian Teixeira, mas a hipótese de que ela explica a cura pelo princípio da similitude suscita divergências entre os próprios homeopatas. “As doses infinitesimais jamais provocam reação secundária”, afirma Romeu Carillo Júnior, diretor da Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia (Abrah) e responsável pelo curso de pós-graduação em Homeopatia do Hospital do Servidor Municipal de São Paulo. “Esta, aliás, é a grande vantagem da experimentação com doses dinamizadas, uma vez que os sintomas obtidos são provocados apenas pelo efeito primário do medicamento.”
Se fosse o contrário, exemplifica Romeu, um paciente com insônia medicado com Coffea cruda (café), o remédio homeopático para esse tipo de distúrbio, passaria a ter sonolência – a reação secundária do organismo – e não o restabelecimento do sono fisiológico, sem excesso. A tradição homeopática ensina que as fórmulas diluídas devem apenas promover o reequilíbrio da “energia vital”, despertando a reação natural do organismo. As descompensações acontecem, segundo Romeu, devido ao bloqueio de vias que interligam os sistemas funcionais que compõem o organismo – e, nesse caso, o remédio dinamizado atua como agente estimulador do desbloqueio. Sua presença seria captada por receptores biológicos em níveis celular e extracelular, previamente sensibilizados pela própria doença.
A verdade é que, apesar do aumento recente de estudos clínicos nessa área, a homeopatia ainda carece de um suporte razoável de pesquisas realizadas sob critérios aceitáveis pela ciência oficial. Seus críticos cobram mais ensaios do tipo duplo-cego, aqueles nos quais o resultado obtido com pacientes tratados com o remédio é comparado ao de um grupo de controle em que os doentes tomaram placebo sem que nem os pacientes nem os pesquisadores saibam qual é qual. O neurocientista Renato Sabbatini, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que, entre mais de 4,5 milhões de estudos médicos e biológicos arquivados na Medline, uma base de dados produzida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, referentes ao período 1972-1997, encontrou apenas 61 pesquisas sobre homeopatia que obedecem o padrão científico.
Destas, só quatro atestavam uma ação dos remédios homeopáticos superior ao placebo em casos de diarréia infantil, inflamação de ouvidos, coceira e irritação da pele provocadas por picadas de mosquito. É ainda muito pouco para atestar a eficiência da homeopatia. Há também indícios de que a terapia funciona contra rinite alérgica.
Os homeopatas admitem a escassez apontada por Renato, mas alegam que isso acontece porque as instituições de pesquisa e os grandes laboratórios farmacêuticos se recusam a patrocinar estudos relacionados à homeopatia. O obstáculo se repete nas universidades, onde se contam nos dedos as faculdades de medicina que têm a homeopatia em sua grade curricular. O critério de estudo duplo-cego também é contestado. “Isso hoje é discutível”, diz Romeu. “Artigos recentes da revista Science revelaram que grupos tratados apenas com placebos apresentam diferença de resultados bastante significativa, o que torna o método passível de crítica.”
À margem do debate acadêmico, os usuários que engrossam as estatísticas homeopáticas aqui e lá fora aderem aos seus tratamentos motivados por atrativos que têm a ver, sobretudo, com a qualidade de vida. Ao contrário da medicina convencional, a homeopatia não é uma terapêutica invasiva, dispensando cirurgias, exames incômodos e drogas que provocam efeitos colaterais quase sempre perigosos. Sua abordagem é sistêmica e tem como foco o paciente e não a doença em si – detalhe que faz toda a diferença na relação médico-paciente. Ela é muito mais próxima e afetuosa do que na medicina alopática, cujos diagnósticos dependem hoje mais da tecnologia que da acuidade do médico. Uma consulta homeopática pode envolver perguntas sobre hábitos do dia-a-dia, incluindo até questões prosaicas como sonhos ou a sensação experimentada pelo paciente no pôr-do-sol. A importância dada aos sintomas mentais é tanta que a conversa com o homeopata, muitas vezes, assemelha-se a uma sessão com o psicológo.
Ah! Há outro detalhe: a homeopatia é barata. O preço de um frasco com glóbulos homeopáticos (as bolinhas de açúcar) varia de 7 a 10 reais. Já uma caixa de antibiótico... bem, você sabe.
Quando surgiu, há mais de 200 anos, a homeopatia significava um enorme progresso em relação à medicina da época, notável por suas técnicas torturantes, como as sangrias, prática que consistia em drenar o doente para extrair até dois terços do seu “sangue impuro”. Só por milagre alguém conseguia escapar. Em meio a esse teatro de horrores, a aceitação da homeopatia foi rápida e ampla, ao ponto de, no início do século passado, um em cada seis médicos nos Estados Unidos ser homeopata. A situação mudou com a descoberta dos antibióticos e as vacinações em massa, que consolidaram a crença de que a tecnologia moderna era capaz de vencer sozinha a doença. Apesar dos desencontros doutrinários entre as duas vertentes da medicina ocidental, é provável que se esteja caminhando agora rumo ao equilíbrio. “Conforme o caso, os tratamentos alopático e homeopático não são incompatíveis”, afirma Célia.
“Se o paciente necessita de uma terapia de reposição, como a insulina e o hormônio tireoideano, o caminho é a prescrição alopática.” A recíproca também tem sido verdadeira, segundo o cardiologista homeopata Rafael Karelisky, de São Paulo. “Todos os dias recebo em meu consultório pacientes encaminhados por colegas da medicina convencional”, diz. Se essa tendência persistir, talvez o médico do futuro nem ao menos venha a ser rotulado de alopata ou homeopata pelo simples fato de enquadrar-se no perfil proposto por Antonio Cesar Deveza Silva, um homeopata paulistano: ele será um profissional que domina todas as formas de medicina e sabe usar, com precisão, a mais adequada a cada caso.

Como se faz um remédio homeopático

A preparação de um remédio homeopático começa com a medição das substâncias, na proporção de uma parte da essência medicinal para 99 partes de um diluente. O processo compõe-se de quatro etapas. Para entendê-lo, tomemos por modelo a fabricação da arnica, um dos dez remédios homeopáticos mais usados no Brasil, receitado em casos de traumatismos, feridas e choque emocional. O medicamento é produzido a partir da planta de mesmo nome.

1 - Trituração
Uma parte de arnica (no caso, fragmentos da planta inteira moída) é adicionada a 99 partes de lactose, o açúcar do leite, e, a seguir, macerada durante alguns minutos. Imagine-se que dispomos de 1 grama de arnica. Ela deve ser misturada a 99 gramas de lactose. Essa etapa é dispensável quando a substância básica é líquida. Então, já no início obtém-se uma tintura-mãe com uma solução de água destilada e álcool, obedecendo sempre à proporção centesimal.

2 - Diluição
Uma parte da mistura arnica-lactose é agora dissolvida em um frasco com 99 partes de solução alcoólica, permitindo que se faça a primeira sucussão. Isto é, a agitação da mistura em 100 movimentos verticais que têm por objetivo “dinamizar” o remédio, de acordo com o jargão homeopático. Até hoje ninguém sabe dizer por que Hahnemann estabeleceu esse número de movimentos, mas ele é obrigatório para que se atinja a dinamização adequada.

3 - Novas diluições
Repete-se, então, o ritual da diluição e da sucussão, juntando-se uma parte da substância medicinal dissolvida a outras 99 de uma nova solução de água e álcool. Outras dinamizações serão feitas conforme a potência que se queira dar ao remédio. A partir da décima segunda diluição, a química afirma não mais existirem no líquido quaisquer resquícios da substância original, mas, segundo a homeopatia, restaria – nas moléculas alteradas da água – a “imagem” da molécula do princípio ativo, que irá sensibilizar os receptores orgânicos. Quanto mais dinamizações, mais forte o medicamento, dizem os homeopatas. Alguns remédios chegam a ser diluídos 1 000 vezes.

4 - Veiculação
A fórmula está pronta e agora é preciso escolher o suporte pelo qual ela chegará ao usuário. Pode ser em forma de gotas, glóbulos de açúcar (impregnados com o líquido dinamizado), tabletes e cremes. O número seguido da sigla CH (centesimais de Hahnemann), que aparece na embalagem, indica o grau de dinamização do medicamento. Por exemplo: 36CH significa que aquela porção original de arnica foi diluída 36 vezes, sendo submetida a 3 600 movimentos durante o processo.

Plantas e animais

A exemplo do que acontece na alopatia, a maioria dos remédios homeopáticos é preparada a partir de plantas – algumas delas nativas do Hemisfério Norte e desconhecidas no Brasil. Há, porém, preparados com minerais, secreções animais – como veneno de cobra – e até com animais inteiros triturados. A farmacopéia homeopática compõe-se atualmente de mais de 3 000 itens, cada um identificado por seu nome em latim, de acordo com a tradição iniciada por Samuel Hahnemann. O critério para escolha da substância é o de que ela seja capaz de produzir no homem sadio sintomas semelhantes aos da doença que se pretende atacar.

Farmácia natural

Eis algumas das substâncias usadas e suas indicações terapêuticas
Substância
Vegetais - Arnica montana (arnica ou espirradeira)
Indicação terapêutica - Traumatismo, ferida, queimadura, hematoma, choque emocional

Vegetais - Belladonna (beladona)
Indicação terapêutica - Febre elevada

Vegetais - Bryonia (lúpulo selvagem)
Indicação terapêutica - Prisão de ventre, inchaço nas articulações e seios, dor de dente

Vegetais - Chamomilla (camomila)
Indicação terapêutica - Incômodo da dentição infantil

Vegetais - Digitalis (dedaleira)
Indicação terapêutica - Insuficiência cardíaca

Vegetais - Gelsemium (gelsêmio)
Indicação terapêutica - Dor de cabeça, prisão de ventre e resfriado

Vegetais - Hamamelis (hamamélia)
Indicação terapêutica - Ferida não supurada

Vegetais - Hypericum (erva-de-são-joão)
Indicação terapêutica - Ferida e lesão acompanhadas de dores fortes, lesões nos nervos

Vegetais - Ipeca (ipecacuanha)
Indicação terapêutica - Náuseas e vômitos

Vegetais - Opium (ópio)
Indicação terapêutica - Torpor, formigamento, mau funcionamento do intestino
Substância
Secreções animais - Crotalus horridus (veneno da cascavel americana)
Indicação terapêutica - Dengue

Secreções animais - Pirogenium (substância produzida por células que eleva a temperatura corporal)
Indicação terapêutica - Infecção generalizada

Substância
Animais triturados - Apis mellifica (abelha)
Indicação terapêutica - Alergia a picada de abelha, urticária

Substância
Minerais - Antimonium tartaricum (antimônio tartárico)
Indicação terapêutica - Tosse com insuficiência respiratória

Minerais - Phosphorus (fósforo)
Indicação terapêutica - Complicações da vesícula, hemorragias

Minerais - Silicea (cristal de rocha)
Indicação terapêutica - Infecções com presença de corpo estranho

Para saber mais

Na livraria
Homeopatia, Medicina Interna e Terapêutica
Romeu Carillo Junior, Editora Santos, São Paulo, 2000.

Medicina Quântica
Victor Mattos, Corpo e Mente, Curitiba, 2001.

Homeopathy: Science or Myth?
Bill Gray, North Atlantic Books, Estados Unidos, 2000

Semelhante Cura Semelhante
Marcus Zulian Teixeira, Editorial Petrus, São Paulo, 1998

Na internet
www-2.cs.cmu.edu/~dst/ATG/lo-iestru.html
www.nib.unicamp.br/recursos/homeopatia

Por que a homeopatia funciona?




A rigor, os remédios homeopáticos são só água ou açúcar, sem nenhum resquício de princípio ativo. Mas muita gente diz que se cura com eles. Qual pode ser o mistério por trás disso?




Se é que funciona, há que se ponderar. Isso porque os estudos que avaliam a eficácia da prática não são exatamente conclusivos e ora lhe dão aval, ora a desabonam. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, afirma que o método se mostrou superior a pílulas de farinha em testes clínicos. E no Brasil ela é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina – algumas faculdades inclusive oferecem disciplinas optativas sobre o assunto. Por outro lado, uma batelada de pesquisas diz que seu funcionamento não passa de efeito placebo – os resultados positivos seriam obtidos pela crença do paciente de que a terapia vale (leia mais sobre isso na pág. 56).
A homeopatia trabalha com medicamentos diluídos em água até o ponto de não restar mais traço deles no líquido. O criador da técnica, o alemão Samuel Hahnemann (1755-1853), inspirou-se na “lei da semelhança”. Em linhas gerais, ela diz que a mesma substância que causaria uma doença em alguém saudável pode reverter esses sintomas numa pessoa já doente. O veneno de abelha, por exemplo, poderia tratar sintomas de alergia se manipulado de modo homeopático.
Como a substância praticamente desaparece ao ser diluída em água, a eficácia do tratamento sempre foi bastante questionada. Para os defensores da homeopatia, a explicação está em uma suposta “memória da água”, na qual ficaria preservado o potencial terapêutico do medicamento. Um trabalho publicado em 2003 na revista científica Physica A mostrou que, ao ser congelado, um copo com cloretos de sódio e de lítio diluídos em água até quase desaparecerem apresentou diferenças estruturais ao ser comparado com um copo de água pura. A avaliação foi feita por meio de uma técnica conhecida como termoluminescência, que detecta a estrutura de substâncias sólidas.
Água fria
Em 2005, no entanto, uma pesquisa publicada na revista especializada Nature jogou água fria, com o perdão do trocadilho, nessa crença. Os pesquisadores, liderados por R.J. Dwayne Miller, da Universidade de Toronto (Canadá), demonstraram que de fato a água consegue armazenar as propriedades de substâncias diluídas nela até sumirem. Mas somente por 50 femtossegundos (1 femtossegundo equivale a 1 bilionésimo de milionésimo de segundo) – um nada de tempo, em português claro. Outro baque ocorreu alguns meses depois, naquele mesmo ano, quando a revista médica britânica The Lancet praticamente declarou guerra contra a homeopatia. Acompanhando um estudo que concluiu que os benefícios do tratamento se restringem ao efeito placebo, a revista publicou um editorial intitulado O Fim da Homeopatia. Nele, os editores da publicação se diziam surpresos com o fato de o debate continuar mesmo depois de “150 anos de resultados desfavoráveis”.
Pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, fizeram uma revisão de 110 testes clínicos que analisavam o efeito de produtos homeopáticos para doenças que iam de infecções respiratórias a dores pós-cirúrgicas. A comparação em todos os casos era com placebos. O que os cientistas notaram é que pacientes dos dois grupos apresentaram resultados bastante semelhantes – a homeopatia não se mostrou melhor que o placebo para curar alguém. Se ela funciona para algumas pessoas, a responsabilidade seria da mente do paciente, não do remédio.
Diluir uma substância, em geral, diminui a intensidade de sua ação. Mas, para os homeopatas, quanto mais diluído, mais potente o remédio.
Cientistas italianos estão dando remédios homeopáticos a vacas para aliviar os efeitos do forte verão do país. Eles acreditam que o calor estressa os animais e degrada o leite e a carne. A homeopatia seria a forma de relaxar os animais, melhorar o sistema imunológico e atenuar os problemas do verão.
Fonte:http://super.abril.com.br/busca/?qu=homeopatia

Homeopatia (do grego ὅμοιος + πάθος transliterado hómoios - + páthos = "semelhante" + "doença") é uma forma de terapia alternativa iniciada por Samuel Hahnemann (1755-1843) quando em 1796 publica a sua primeira dissertação. Se baseia no princípio similia similibus curantur (semelhante pelo semelhante se cura), ou seja, o tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável.1 2 A homeopatia reconhece os sintomas como uma reação contra a doença. A doença é uma perturbação da energia vital e a homeopatia provoca o restabelecimento do equilíbrio.1 2 É o segundo sistema médico mais utilizado no mundo.3 Pesquisas científicas têm mostrado que os remédios homeopáticos são ineficazes e seu mecanismo de funcionamento implausível.4 5 6 7 Outras pesquisas no entanto, tem mostrado diferença entre os efeitos de medicamentos homeopáticos e placebo 8 . Entre a comunidade médica internacional, a homeopatia é geralmente tida como charlatanismo.9
O tratamento homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático doses extremamente diluídas de compostos que são tidos como causas em pessoas saudáveis dos sintomas que pretendem contrariar, mas supostamente potencializados através de técnicas de diluição, dinamização e sucussão que liberariam energia.2 Desse modo, o sistema de cura natural da pessoa seria estimulado a estabelecer uma reação de restauração da saúde por suas próprias forças, de dentro para fora.10 Este tratamento seria para a pessoa como um todo e não somente para a doença.2 11 12
Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha os seus estados membros a regular a Homeopatia de forma a garantir a inocuidade dos produtos que são comercializados sem prescrição médica. A OMS reconhece que, apesar de se verificar um aumento da utilização de produtos homeopáticos, são poucos os estados com regulamentação aplicável. Segundo esta organização, é necessário contrariar a ideia de que não existem riscos na administração de produtos homeopáticos devido às altas diluições.13
O documento de Estratégia da OMS sobre medicina tradicional 2002 - 2005 “aborda as questões de segurança, qualidade e eficácia da medicina tradicional (MT) e medicina complementar e alternativa (MCA). O principal objectivo destas estratégias é desenvolver um guia técnico de controlo de qualidade e segurança para produtos de MT/MCA.”13
Os defensores da homeopatia referem-se regularmente aos documentos produzidos pela Organização Mundial de Saúde afirmando que esta promove a implantação desta prática em todos os sistemas nacionais de saúde.14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27Todavia, a OMS condena o uso da homeopatia contra doenças graves como malária, tuberculose, aids, gripe e diarreia infantil.28
No Brasil, é considerada como especialidade médica desde 1980, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, tendo sido incluída no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006.29 Reino UnidoFrança e Alemanha também usam a homeopatia em seus sistemas de saúde pública.16
Em muitos países não é considerada especialidade médica.13 Embora alguns estudos individuais aleguem resultados positivos e sugerem maiores estudos,30 31 numerosos estudos indicam sistematicamente que homeopatia não é mais efetiva que o placebo.4 5 3233

Generalidades

Selo alemão comemorativo dos 200 anos de homeopatia, repetindo a máxima de Hahnemannsimilia similibus curantur
Homeopatia é considerada uma filosofia (lato sensuholísticavitalística, pelo fato de interpretar doenças e enfermidades como causadas pelo desequilíbrio ou distúrbio de uma hipotética34 energia vital ou força vital no organismo de quem as apresenta. Desse modo, ela vê tais distúrbios como manifestações em sintomas únicos e bem definidos. Sustenta que a força vital tem o poder de se adaptar a causas internas ou externas. É a "lei da suscetibilidade" homeopática, sob a qual um estado mental negativo pode atrair entidades hipotéticas chamadas "miasmas", as quais invadem o organismo e produzem os sintomas das doenças.35 Hahnemann, contudo, rejeitou a ideia de ser a doença "algo separado, uma entidade invasora" e insistiu em que ela é parte de um "todo vital".36

História

Hipócrates

Os defensores da homeopatia destacam o fato de que alguns princípios gerais da homeopatia já teriam sido enunciados por Hipócrates há cerca de 2500 anos:
  • Observar. Para Hipócrates, grande parte da arte médica consiste na capacidade de observação do médico. A observação deve ser feita sem nenhum tipo de preconceito ou julgamento, estando o prático aberto aos relatos explícitos e implícitos do paciente.
  • Estudar o doente, não a doença. Este princípio, proposto no Ocidente pela primeira vez no tempo de Hipócrates, assentou as bases da holística, estabelecendo que na compreensão do processo saúde/enfermidade não se divide a pessoa em sistemas ou órgãos, devendo-se avaliar a totalidade sintética do indivíduo. Este ponto é essencial no entendimento das históricas divergências entre as escolas de Cós (cujo expoente principal é o próprio Hipócrates) e de Cnido. Esta última pregava a especialização, a impessoalidade, o organicismo e a classificação das doenças.
  • Avaliar honestamente. Dá-se importância à leitura prognóstica dos problemas da pessoa.
  • Ajudar a natureza. A função precípua do médico é auxiliar as forças naturais do corpo para conseguir a harmonia, isto é, a saúde.
Esses princípios guardam semelhança com as conclusões de Samuel Hahnemann no século XVIII, como se expõe a seguir.
Hipócrates foi também o primeiro a descrever as duas maneiras principais de abordar a terapêutica:
  • Similia similibus curantur: "Semelhantes são curados por semelhantes". Base terapêutica da homeopatia.
  • Contraria contrariis curantur. "Contrários são curados por contrários". Princípio seguido por Galeno que estabeleceu também as bases da alopatia.
A visão integradora de Hipócrates permeia sua obra, cujos textos mais conhecidos são Aforismos e Juramento. A saúde, para ele, é resultado da harmonia entre os quatro humores que ele acreditava estarem presentes no corpo e da interação da pessoa com o meio. Higienedietaexercícios físicosclima e outras circunstâncias são levadas em consideração na avaliação da saúde. O adoecimento obedeceria, de acordo com o pensamento de Hipócrates, a três estágios facilmente reconhecíveis por um observador atento:
(1º) degeneração (desequilíbrio) dos humores;
(2º) cocção; e
(3º) crise.
Não se dava importância à classificação das doenças, levando-se muito mais em conta a pessoa e seu contexto. Na terapêutica era parco o uso de medicamentos, interferindo-se somente nos momentos considerados necessários, quando a natureza o indicasse. Ficou muito conhecido no seu tempo por sua honestidade científica e na relação com os pacientes e seus familiares, insistindo na necessidade de se trabalhar com a verdade e de se fazer a leitura do prognóstico do estado de saúde. Estabeleceu as bases da éticanas relações entre médicos, entre médico e discípulos e entre médicos e pacientes.
Todavia, embora o pensamento de Hipócratres seja de enorme importância para a história da medicina e formação da ética médica, considera-se ter pouca importância epistemológicaa começar pelo fato de que três dos quatro humores por ele descritos e nos quais fundamentava o seu pensar sequer existem. Ele acreditava que a saúde era resultado do equilíbrio entre quatro supostos líquidos diferentes secretados pelo corpo: o sangue (único dos quatro que realmente existe), a fleuma, a bile amarela e a bile negra. Acreditava ainda que a proporção desses líquidos era capaz de definir as variações de caráter entre os humanos.

De Hipócrates a Paracelso

Os séculos seguintes apresentaram preponderância crescente das crenças de Cnido e das práticas de Galeno, chegando ao dogmatismo. O establishment da Antigüidade e, posteriormente, da Idade Média, não permitia qualquer tipo de oposição às ideias galênicas que reinaram quase absolutas por quinze séculos. Galeno ficou conhecido por seus preparados farmacêuticos que incluíam várias substâncias em cada um deles. Sua teriaga, uma de tantas misturas preparadas, chegou a ter mais de setenta ingredientes em sua composição até a época de sua morte. Na Idade Média o preparado já continha mais de cem substâncias, sendo usado como antídoto universal. Até o final do Século XIX a teriaga estava registrada nas farmacopéias oficiais de vários países europeus.

Paracelso

Um dos maiores críticos de Galeno, e, não casualmente, devoto de Hipócrates, foi Paracelso (1491 – 1541). Dotado de um espírito questionador, iconoclasta e revolucionário, esse médico e alquimista, nascido em Zurique, abalou as estruturas acadêmicas de sua época, questionando os clássicos e afirmando a necessidade de se realizarem experiências e observações próprias para o conhecimento da ciência. Com efeito, a medicina paracelsista é um retorno à filosofia da natureza, ao holismo. Ele vê a pessoa submetida às mesmas leis e princípios que governam o universo; em suas palavras: "Assim como é em cima, é em baixo". Para ele, a saúde é resultante da harmonia entre o homem (microcosmo) e o Universo (macrocosmo). Paracelso aceita o princípio da cura pelo semelhante e prescreve: "Scorpio escorpionem curat".

Samuel Hahnemann

Samuel Hahnemann
No Século XVIIISamuel Hahnemann (1755-1843) nasce na Alemanha e inicia sua prática médica em 1779. Naquela época, sangriaseméticos e purgantes eram receitados sem nenhum resguardo. Os médicos julgavam-se autoridades máximas, acima da natureza, e não duvidavam de seus métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam. Hahnemann frustra-se profundamente com a prática médica e decide abandoná-la em 1789. Um de seus escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: "converter-me em assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me expor mais a continuar prejudicando". Essa postura mostra sintonia com a máxima hipocrática: "Primo nil nocere", ou seja, primeiramente não prejudicar.
Era um poliglota. Consta que conhecia gregolatimhebraicoárabecaldeualemãoinglêsfrancêsitalianoespanhol, entre outras línguas. O conhecimento desses idiomas é decisivo no futuro de Hahnemann, pois, havendo abandonado a prática médica, começa a sobreviver realizando trabalhos de tradução. Traduz, sobretudo, obras médicas e científicas, retomando estudos de antigos mestres como HipócratesParacelsoJan Baptista van Helmont,Thomas SydenhamBoerhaaveStahl e Albrecht von Haller.
A história registra sua personalidade prodigiosa, dotada de capacidade de observação e de senso crítico. Foi quando trabalhava na tradução da Materia Medica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele autor chamou sua atenção. A Cinchona officinalis (quinina ou simplesmente quina) era usada na Europa, proveniente do Peru, para o tratamento do paludismo. Segundo explicações do autor do livro, a Cinchona atuaria fortalecendo o estômago e produzindo uma substância contrária à febre. Movido por curiosidade e intuição científicas, Hahnemann decide provar, nele mesmo, o medicamento. Observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes ao das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça) ao ingerir a quina e seu desaparecimento ao cessar o uso. Repetiu várias vezes o experimento com a quinina e depois continuou fazendo provas com beladonamercúriodigitalópioarsênico e outros medicamentos. Inspirado pela obra de von Haller, que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente, inclui seus parentes nas experiências, observa e anota pormenorizadamente os resultados.
Depois de seis anos de pesquisas intensas, Hahnemann publica o "Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual". 1796 entra para a História da medicina como o ano de sistematização dos conhecimentos homeopáticos (para alguns o "nascimento da homeopatia"). Como visto acima, os princípios já haviam sido enunciados por outros médicos anteriormente, mas é Hahnemann quem dá um corpo único, coerente, sintético, com fundamentos nitidamente compreensíveis à homeopatia. É curioso mencionar que foi ele quem cunhou os termos "homeopatia" (à qual também se referia como Arte de Curar) e "alopatia" (Prática abusiva, agressiva e pouco eficaz).
A partir de 1801 Hahnemann começa a usar "medicamentos dinamizados" (técnica própria da homeopatia que visa ao desenvolvimento da força medicamentosa latente na substância e que consiste em submeter a droga a diluições e sucussões sucessivas) e observa que isso dá mais potência ao medicamento. Em 1810 publica sua obra fundamental, "Organon da Medicina Racional", mais tarde, "Organon da Arte de Curar". Em vida, chega a publicar cinco edições do Organon. A sexta e definitiva edição vai para o prelopost mortem, em 1921.

Princípios da homeopatia

Glóbulos de sacarose usados em homeopatia como veículos dos remédios
Além da visão holística impressa em toda a obra de Hahnemann, ou seja, a visão do todo sobre as partes, há quatro princípios que orientam a prática homeopática, quais sejam:
  • Lei dos Semelhantes: Resultado de suas releituras dos Clássicos e, sobretudo, de suas próprias experiências, anuncia esta Lei universal da cura: similia similibus curantur. Exemplificando, um medicamento capaz de provocar, em uma pessoa sadia, angústia existencial que melhora após diarréia e febre, curaria uma pessoa cuja doença natural apresente essas características.
  • Experimentação na pessoa sadia: A fim de conhecerem as potencialidades terapêuticas dos medicamentos, os homeopatas realizam provas, chamadas patogenesias; em geral são eles mesmos os experimentadores. Tipicamente não se fazem experiências com animais. Uma condição básica para a escolha dos provandos é que sejam saudáveis. Esses medicamentos são capazes de alterar o estado de saúde da pessoa saudável e justamente o que se busca são os efeitos puros dessas substâncias.
  • Doses infinitesimais: A preparação homeopática dos medicamentos segue uma técnica própria que consiste em diluições infinitesimais seguidas de sucussões rítmicas, ou seja: mistura-se uma pequena quantidade de uma substância específica em muita água e/ou álcool e agita-se bastante. A tese é de que essa técnica "desperte" as propriedades latentes da substância. Isso é chamado de "dinamização" ou "potencialização" do medicamento.
  • Medicamento único: Primeiro o homeopata avalia se a natureza individual está a "pedir" intervenção com medicamento, pois esse é um dos meios que o médico tem para auxiliar a pessoa, não o único. Sendo o caso, usa-se um medicamento por vez, levando-se em conta a totalidade sintomática do paciente. Só assim é possível ver seus efeitos, a resposta terapêutica e avaliar sua eficiência ou não. Após a primeira prescrição é que se pode fazer a leitura prognóstica, ver se é necessário repetir a dose, modificar o medicamento ou aguardar a evolução.
É surpreendente que Hahnemann tenha enunciado os princípios da homeopatia no final do século XVIII, somente como resultado da observação, pois só no século XX (principalmente na segunda metade) é que a expressão integral desse preceito começou a ser notada por contemporâneos, com destaques para as pesquisas de George VithoulkasMasaru EmotoJacques BenvenisteFritjof CapraC.G.JungLovelockLynn MargulisGregory BatesonHumberto MaturanaLorenzBohr dentre vários outros. É evidente que esta pequena lista mostra cientistas de ramos muito diferentes e que a relação de suas pesquisas com a homeopatia pode não ser direta. Mas todos têm algo muito forte em comum: a ruptura com a visão cartesiana-positivista de parte substancial da ciência ocidental.
Depois de Hahnemann, a homeopatia expandiu-se, tendo seu desenvolvimento e sua aceitação atingido diferentes níveis nas várias regiões do mundo. Por exemplo, na Índia e no Brasil a homeopatia faz parte das políticas oficiais de saúde.Já naArgentina está banida das políticas públicas, chegando a ser praticamente proibida em algumas províncias.

Escolas da homeopatia

  • Unicismo: Prescrição de um único composto homeopático, igualmente a Hahnemann.37
  • Pluralismo: É chamado também de alternismo, dois compostos homeopáticos administrados em horas distintas, um complementando o outro.10
  • Complexismo: São prescritos dois ou mais compostos homeopáticos que podem ser administrados simultâneamente. A indústria produz em larga escala compostos homeopáticos ditos complexos, que tem objetivos de tratar doenças particulares, não considerando a lei dos semelhantes.38
  • Organicismo: O composto homeopático é prescrito conforme o órgão doente. Esta prática aproxima-se muito da alopatia.39

Paradigmas Conceituais

Todas as dúvidas só fazem sentido na medida em que muitos antigos defensores da homeopatia utilizavam-se de conceitos ultrapassados e errôneos, como a teoria dos humores, e interpretações alternativas de teorias de difícil compreensão, para justificar mecanismos de ação dos princípios ativos ultradiluídos. Entretanto, atualmente já existem vários instrumentos e inclusive patenteados no mundo inteiro, que comprovam o diagnóstico homeopático pela resposta energético-frequencial, também conhecido como biorressonância e a sua comprovada demonstração prática através do seu imediato efeito ao nível mental e que também não deixam quaisquer dúvidas quanto a eficácia de seu efeito biológico posterior, assim cada vez mais a ciência médica, com o apoio da física vem elucidando os mecanismos sutis envolvidos nos processos de adoecimento e manutenção da saúde, relacionados com a questão energética.

A questão da superdiluição

A maioria dos cientistas acredita que diluir substâncias tanto quanto é feito na Homeopatia diminuiria drasticamente o efeito que a substância em questão possui. No entanto, toda a questão da inexistência de matéria em soluções homeopáticas ocorre por conta das diluições acima de 11 CH (décima-primeira centesimal Hahnemaniana). Como o número de Avogrado de é 6.02 x 10-23 mol (= 1 molécula-grama) este número é alcançado apenas na 12 CH (10 -24). Nas diluições menores ( 5 CH, 3 CH, 3x, 5x) e na própria 6a. centesimal, as mais usadas, existe matéria além da água. Para efeito de comparação a concentração de alguns hormônios no sangue é da ordem de picogramas (10 elevado a -12 gramas). Isto corresponde exatamente a 6a. diluição centesimal40 l. Os efeitos devastadores e abrangentes dos hormônios mostram que não existe uma relação linear em quantidade de matéria e efeito orgânico. Não existe experimento científico que corrobore a eficácia da homeopatia além do efeito placebo. As vacinas, são um exemplo do uso de substâncias em pequenas quantidades ou atenuadas com vistas a prover um efeito desejável.

Exemplificações

Em dias quentes é tradicionalmente comum na Índia e na China tomarem chá quente. De forma inusitada, a bebida provoca uma reação no corpo que é percebida como um resfriamento. Teoricamente, está ocorrendo o princípio da cura pelo similar, ou equilíbrio interno através do "despertar" de um mecanismo intrínseco ao corpo humano. Há quem acredite que houve a resposta da energia vital, onde o fator calórico foi reconhecido e como resposta a esta informação, e por isso o organismo passou a se esfriar. Similarmente, a homeopatia faria acordar a resposta energética correta.
Verifica-se que nossa energia vital tem forças naturais para debelar infecções, inflamações, ou mesmo estados de choque, a depender da energia vital, dando-lhe o correto estímulo, por entrar em ressonância com o órgão ou organismo e assim produzir a resposta de cura. Assim sendo, passamos a entender perfeitamente o porque que muitos experimentos homeopáticos passaram a ser classificados como charlatanices: simplesmente porque caíram na armadilha da padronização alopática de querer dar um só tipo de medicação para cada doença, ao invés de avaliar individualmente a resposta adequada para cada um com base na sua própria resposta energética.
Ainda assim, não podemos nos esquecer que no início do século XX ainda não existiam antibióticos, a eficácia dos hospitais homeopáticos era bem superior à dos alopáticos por não produzir os efeitos colaterais nem os riscos das técnicas antiquadas de alopatia. Isso provavelmente deu espaço para que a tradição homeopática ganhasse credibilidade.[

Preparo dos compostos homeopáticos

Almofariz e pilão usados para trituração e moagem de sólidos insolúveis a serem empregados em compostos homeopáticos, inclusive conchas de ostrasquartzo e outros constituintes.
O preparo dos compostos homeopáticos segue princípios e técnicas bem definidos e simples em si [a questão da validade não é aqui discutida]. De ordinário, há as seguintes etapas:
  1. Extração dum princípio mineral ou vegetal da fonte;
  2. Pulverização (trituração e moagem) do insumo, quando necessário;
  3. Dissolução num veículo adequado, aquoso, hidroalcóolico etc.;
  4. Diluição em sequência centesimal hahnemanniana;
  5. Dinamização, ou Potencialização ou ainda sucussão.

Quadro de diluições

As soluções homeopáticas — frequentemente ditas simplesmente diluições homeopáticas — preparam-se segundo uma sequência centesimal. Eis a regra para esse preparo:
"Toma-se uma parte da substância curativa pura e dilui-se-a em 99 partes de solução hidroalcoólica a 70% (i.e., 70% de álcool etílico e 30% de água): esta é a primeira diluição ou primeira potência (CH1). Depois, da diluição resultante, toma-se 1(uma) parte e dilui-se-a novamente com 99 partes de solução alcoólica a 70%; esta é a segunda diluição ou segunda potência (CH2). E assim por diante".41 A homeopatia considera que quanto maior a diluição seguida da sucussão, tanto maior será a potência do preparado.
É digno de nota que a diluição primordial é de "1 parte do soluto para 99 partes do solvente (no caso, a solução essencial hidroalcoólica citada)". Se se considera que a parte do soluto — usualmente ínfima em massa e em volume — ao ser adicionada ao solvente resulta uma solução que reúne o volumes do soluto (volume algo alterado por interações físico-químicas moleculares, v.g., solvatação etc.) e o volume do solvente, pode-se, sem erro significativo, dizer que o volume da solução é de 100 partes; logo a concentração do soluto (na solução, uma fração volumétrica) será de 1:100 ou 0,01 ou 10−2. Representa-se-o, na homeopatia, por 1C, C1, 1CH ou CH1, que se lê "1ª concentração (diluição ou potência) centesimal hahnemanniana.
Já que as diluições sucessivas são, de ordinário, centesimais, a seguinte generalização representa matematicamente esse processo:
CH_x = 10 – 2.X (em base decimal), ou, equivalentemente, CH_x = 100 – X (em base centesimal), que expressa diretamente a ideia de diluição centesimal.
Esta expressão relaciona as duas escalas: a escala Centesimal Hahnemanniana (C ou CH) e a escala Decimal Comum (D ou X) para representação das diluições, apresentadas no quadro a seguir.
Escala Centesimal Hahnemanniana (dita Escala CH)
Escala Decimal Comum (dita Escala D ou X)
Concentração química(diluição) do soluto [em partes por 10 X]
Nota
½C, ½CH, C½, CH½
1D, D1, 1X, X1
1 para 10 (C = 10−1)
Considerada a menor diluição hahnemanniana, todavia a menor "potência", pelo método homeopático.
1C, 1CH, C1, CH1
2D, D2, 2X, X2
1 para 10² (C = 10−2)
Maior diluição que 1X, isto é, contém menor quantidade de soluto para mesma quantidade de solvente, porém considerada de maior "potência" pelo princípio das doses infinitesimais da Homeopatia.
2C, 2CH, C2, CH2
4D, D4, 4X, X4
1 para 104 (C = 10−4)
3C, 3CH, C3, CH3
6D, D6, 6X, X6
1 para 106 (C = 10−6)
4C, 4CH, C4, CH4
8D, D8, 8X, X8
1 para 108 (C = 10−8)
Máxima concentração permitida para o elemento químico arsênio em água potável, segundo a ciência contemporânea42
6C, 6CH, C6, CH6
12D, D12, 12X, X12
1 para 1012 (C = 10−12)
7C, 7CH, C7, CH7
14D, D14, 14X, X14
1 para 1014 (C = 10−14)
12C, 12CH, C12, CH12
24D, D24, 24X, X24
1 para 1024 (C = 10−24)
Conforme a Físico-química moderna (limitação quantitativa imposta pela Constante de Avogadro), essa diluição tem cerca de 60% de probabilidade de conter pelo menos uma molécula do soluto original para cada mol deste utilizado no seu preparo.
30C, 30CH, C30, CH30
60D, D60, 60X, X60
1 para 1060 (C = 10−60)
Diluição defendida por Hahnemann para a maioria dos casos: conforme a Físico-química moderna (limitação quantitativa imposta pela Constante de Avogadro), em média, isso significaria administrar dois bilhões de doses por segundo a seis bilhões de pacientes por quatro bilhões de anos para oferecer uma única molécula do soluto original para algum paciente.
200C, 200CH, C200, CH200
400D, D400, 400X, X400
1 para 10400 (C = 10−400)
Diluição do popular composto homeopático Oscillococcinum, preparado homeopático reportado "anti-gripal completo, eficaz na prevenção e no tratamento de influenzas". Comparado ao número estimado de partículas do Universo observável e inferível (cerca de 1080[carece de fontes], o número 10400 vale (1080)5, a quinta potência do número total estimado de partículas!

Compostos homeopáticos[editar | editar código-fonte]

Repertório da 'Materia medica' homeopática, de Kent.
Para uma lista de medicamentos homeopáticos, veja Lista de remédios homeopáticos.

Homeopatia no Brasil

A prática da homeopatia chegou ao Brasil em 1840, pelas mãos do médico francês Dr. Benoit Jules Mure (Bento Mure) que, na cidade do Rio de Janeiro, fundou a primeira escola para o seu ensino: o Instituto Homeopático Brasileiro. Os diversos insumos então utilizados vinham da Europa. Dr. Mure e seu amigo, Dr. João Vicente Martins, ministravam os cursos e o interesse dos farmacêuticos era crescente.
A cisão da homeopatia da prática médica deu-se por volta de 1851, por parte dessa instituição acadêmica. Com o Decreto nº 9554 de 1886, os farmacêuticos ganharam o poder de manipular medicamentos.
Com o passar dos anos surgiram leis específicas para a farmácia homeopática, e com muitos esforços da classe médica e farmacêutica, foi elaborado o Decreto nº 78841, aprovando a 1ª edição da Farmacopéia Homeopática Brasileira. Entretanto, apenas em 1980 é que o Conselho Federal de Medicina reconheceu a homeopatia como especialidade médica.

Homeopatia na Saúde Pública

Na Inglaterra, o comité da ciência e tecnologia da Casa dos Comuns declarou que as "políticas governamentais de homeopatia não eram baseadas em provas fiáveis", sugerindo que o serviço nacional de saúde deixe de apoiar tratamentos que não são cientificamente provados.43
Estudos da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH), no Brasil,44 mostram resultados muito positivos em favor da homeopatia, quando comparada à alopatia na Atenção Primária de Saude. Menor índice de encaminhamentos e menor número de exames complementares estão a explicitar maior resolução dos problemas. Os custos do tratamento para o Sistema Único de Saúde são também sensivelmente menores. Assim, a PBH ampliou o acesso gratuito da população de Belo Horizonte aos serviços de homeopatia, criando o PROHAMA e inserindo médicos homeopatas nas Unidades de Saúde do Município.
Uma pesquisa para dissertação de mestrado da Universidade Federal de Minas Gerais 45 apontou a percepção que tinham da homeopatia os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) quando comparada com a alopatia. Os resultados foram positivos para a homeopatia, o que explicaria a enorme demanda por homeopatas no SUS do Brasil e as longas filas de espera por uma consulta.
Outra pequisa realizada em São Paulo, por Moreira Neto (200146 e publicada em revista aceita oficialmente pela CAPES, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), confirmou os estudos da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele encontrou que os homeopatas daquele município encaminhavam 1 de cada 41 pacientes atendidos, sendo que solicitavam 1 exame complementar em cada 31,3 consultas realizadas, a um custo médio de R$ 0,50 por exame (valores da tabela do SUS de 1995).

Apreciações críticas

Contrárias à homeopatia

Escassez de indícios de eficácia

Alguns cientistas consideram a homeopatia como um resquício pseudocientífico dos tempos da alquimia. Os resultados iniciais atribuídos à homeopatia podem ser explicados como efeito placebo. Alega-se que os medicamentos homeopáticos foram cientificamente testados (no chamado estudo duplo-cego, para controlar os efeitos placebos) várias vezes e alguns desses testes produziram resultados positivos. A maioria dos cientistas atribui isso a flutuações aleatórias, uma vez que os resultados quase não são mensuráveis, não podem ser reproduzidos de modo confiável e há uma grande quantidade de testes em que a homeopatia falha. Além disso, o modo básico como os testes são realizados leva uma pequena fração dos testes a produzirem falsos resultados positivos. Normalmente isso é evitado por meios estatísticos, mas quando uma grande quantidade de testes são realizados, um ou dois produzirão resultado positivo por efeitos aleatórios.
Homeopatia não se acha pacificamente inserida como especialidade médica em todos os países. Mesmo aqueles que lhe conferem alguma aceitação oferecem-lhe certas restrições, ou de natureza institucional (as comunidades científico-médicas, os conselhos ou as ordens médicas etc.) ou de cunho legal (as disposições normativas pertinentes na ordem jurídico-política de cada país). Consideram-se questionáveis, sob a óptica da metodologia científica vigente, tanto o princípio como as técnicas, que deveriam ser provados e aprovados segundo os cânones do método científico moderno. Em particular, citam-se:
  1. Os altos níveis de diluição (variando de acordo com o medicamento), que conduziriam eventualmente à ineficácia por efetiva inexistência de princípio ativo (os homeopáticos são tão diluidos que, em doses comuns, chega a ser impossível haver uma únicamolécula do princípio ativo em toda a solução);
  2. A inexistência de estudos acadêmico-científicos específicos que comprovem a eficácia de tal método (sobretudo estudos de duplo-cego);
  3. Todos os estudos científicos produzidos até agora concluem pela ineficácia da homeopatia (eficiência idêntica a um placebo).
Em agosto de 2005, a revista científica The Lancet publicou uma metanálise de 110 experimentos homeopáticos placebo-controlados e 110 experimentos médicos convencionais, baseados no "Programa para Avaliação de Medicinas Alternativas" do Governo daSuíça. No artigo os pesquisadores apresentam sua conclusão de que afinal "os efeitos clínicos da homeopatia são nada mais que efeitos placebo".47
O Parlamento do Reino Unido também fez uma análise da eficácia de remédios homeopáticos. Os resultados apontam que as explicações científicas para a homeopatia não são convincentes. O governo britânico recomenda a interrupção imediata desse tipo de remédio no serviço público de saúde daquele país.48
Um medicamento homepático preparado a partir da espécie vegetal Ledum palustre ssp.. A diluição 15CH aqui exibida, segundo o método da química analítica moderna, não deve conter sequer uma só molécula do princípio original.
Na pesquisa de qualquer fármaco, um trabalho científico deve ter algumas características específicas para ter valor real. Deve, pois, ser:
  1. Duplo-cego (ou seja, nem o terapeuta, nem o paciente sabem o que vai ser tomado, placebo ou fármaco);
  2. randomizado (pacientes com mesmo diagnóstico - ver abaixo - são sorteados aleatoriamente para uso de placebo ou fármaco em estudo);
  3. Prefencialmente multicêntrico (com trabalhos feitos em institutos de saúde diferentes para ver se método é reprodutível);
  4. Feito por pesquisadores independentes e sem vínculos de interesse.
Samuel Hahnemann (reputado recriador da Homeopatia, na transição dos séculos XVIII e XIX), sem qualquer base científica para a época, utilizou um processo de diluições seqüenciais para preparar seus medicamentos. Ele diluía extratos de certas ervas e minerais naturais, à razão de uma parte de medicamente para dez partes de água, o que resultava em concentração (ou diluição) de 1:10; agitava a solução e, então, diluía por outro fator de dez, resultando ao final em uma diluição de 1:100. Uma terceira repetição do processo produzia diluição de 1:1000 e assim por diante. Cada diluição subsequente adicionaria outro zero à direita. Ele repetia o processo várias vezes. Diluições extremas são rapidamente obtidas por esse método. Por meio da química analítica, sabe-se que analiticamente o limite de diluição é alcançado quando sobra apenas uma molécula do medicamento no meio veículo. À luz dessa evidência, efetivamente além desse ponto, nada mais pode restar para se diluir.
Em um sem número de medicamentos homeopáticos, por exemplo, a diluição de 30X é basicamente o padrão. A notação 30X significa que a substância foi diluída em uma parte em dez e agitada, e o processo, então, repetido sequencialmente trinta vezes. A diluição final é de uma parte de medicamento em 1030 (um nonilhão) partes de água. Isso está além do limite de diluição. Para ser exato, em uma diluição de 30X seria necessário beber 7874 galões [30 m³ ou 30 000 litros] da solução para se esperar encontrar apenas uma única molécula de medicamento.
Comparado a muitas preparações homeopáticas, mesmo 30X é concentrado. Oscillococcinum, o remédio homeopático padrão para a gripe, é produzido a partir de fígado de pato, mas o seu uso generalizado na homeopatia cria pouco risco à população de patos: a diluição padrão é de 200C. C significa que o extrato é diluído em uma parte em cem e agitado, repetindo-se duas centenas de vezes. Isso resultaria em uma diluição de uma molécula de extrato para cada 10400 moléculas de água — isto é, 1 seguido de 400 zeros.



Park destaca que Hahnemann provavelmente não estava ciente do limite da ultradiluição porque ele desconhecia o número de Avogadro, uma constante física que torna possível calcular o número de moléculas em uma amostra com uma certa massa de uma substância. Explica o sucesso que a homeopatia teve no início comparando com o uso, à época, de tratamentos verdadeiramente perigosos: "Os médicos ainda tratavam os pacientes com sangria, lavagens e freqüentes doses de mercúrio e outras substâncias tóxicas. Se o nostrum infinitamente diluído de Hahnemann não fazia nenhum bem, ao menos não fazia nenhum mal, permitindo às defesas naturais do paciente corrigirem o problema." Park explica, ainda, como os modernos homeopatas concordam que realmente não há nenhuma molécula de medicamento em seus remédios, mas que o líquido inexplicavelmente se "lembra" da substância após o processo de diluição. Como essa pseudomemória da substância é obtida, nunca foi satisfatoriamente explicado. Os críticos também apontam a dissociação espontânea da água em ácido e base (o que explica porque seu pH é 7). A quantidade de ácido em um medicamento homeopático, embora pequena, é geralmente muito maior do que a quantidade de agentes ativos. Estudo realizado na Universidade de Toronto demonstrou existir a "memória da água" sem a presença do soluto, mas persistente por apenas 50 femtossegundos (1/20.000.000.000.000 de segundo).49
A suposta "memória da água" também parece se comportar de forma curiosamente seletiva, pois só se lembra dos ingredientes que o preparador do medicamento deseja. Supondo que a amostra inicial de água, com a qual se dilui pela primeira vez um medicamento homeopático, contivesse eventuais traços de impurezas (ferrugem de canos ou outros elementos indesejáveis), concluir-se-ía que os seus efeitos também seriam dinamizados. Mesmo que um preparador atestasse ser pura ("sem" impureza) a amostra de água inicial, o próprio argumento da "memória da água" indicaria que efeitos de contaminações passadas poderiam estar presentes, ainda que nenhuma molécula de impureza fosse detectada.
Recentemente, céticos em relação à homeopatia consumiram diante do público grandes quantidade de medicamentos homeopáticos a fim de demonstrar sua falta de efeito. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch, consumiram caixas inteiras de pílulas homeopáticas para dormir no começo de suas palestras públicas. SKEPP50 , um grupo de céticos belgas, realizou uma conferência de imprensa na qual céticos tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. Ninguém passou mal.51

A questão da atenção médica

Consultas realizadas por homeopatas costumam ser mais demoradas e seus questionários mais extensos. Estas características conferem subjetivamente ao paciente um atendimento mais "humanizado" proporcionando um ambiente de maior confiança e empatia por parte de ambos, fortalecendo a relação médico-paciente. Sabe-se que este tipo de relação aumenta a eficácia dos efeitos placebos de toda e qualquer terapia, seja alopática, homeopática ou outra qualquer.52
Outra crítica aos trabalhos a favor da homeopatia é o diagnóstico da patologia a ser tratada. Se uma pessoa apresenta queixa de dor de cabeça, as causas catalogadas pelos neurologistas podem chegar a mais de uma centena. Ou seja, diversas doenças podem ser a causa de sintomas comuns. Alguns estudiosos duvidam que a maioria dos homeopatas consiga apenas através de uma consulta clínica classificar dentro de estritos critérios médicos todos os pacientes para toda uma vasta gama de queixas (e quase sem exames). Para tanto os homeopatas se valem de teorias empíricas próprias de funcionamento de órgãos e sistemas orgânicos. Evidentemente os pacientes que serão estudados para finalidade de trabalho científico deverão ser catalogados pelas suas doenças e não pelas suas queixas (sintomas).

A questão da tradição

Outra crítica à homeopatia é de que os argumentos em seu favor levariam muito em consideração práticas consolidadas sem questionamentos e de que seu conhecimento se pautaria em demasia nas afirmações de Hahnemann acriticamente sem a existência de estudos científicos que a comprovem.

Placebo em bebês e outros

Argumenta-se frequentemente que evidências do efeito favorável da homeopatia em bebês, animais domésticos e plantas seriam provas de que a homeopatia não agiria por efeito placebo, pois estes não estariam suscetíveis a esse efeito. No entanto, bebês e animais domésticos estão sujeitos aos efeitos benéficos do aumento de cuidados e atenção e do efeito placebo, motivo que os remédios e compostos devem ser testados com testes de duplo cego mesmo quando usados em bebês ou animais 53 54 55 . Até hoje não existe um teste duplo-cego que possa comprovar o uso de placebo.

Favoráveis à homeopatia

Os defensores da homeopatia asseveram que ela contempla o ser humano não de modo fragmentário, mas numa visão integrada, vendo-o como um todo onde corpo e psique são indissociáveis e, assim, necessitam ser abordados como um ente único. Neste aspecto — observam — ela se aproxima das medicinas clássicas orientais e do que viria a formar, no século XX, o pensamento sistêmico. No entanto, resta demonstrar que tal maneira de agir aumenta a probabilidade de cura do paciente.
Luc Montagniervirologista francês ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2008 pela descoberta do vírus da Aids, surpreendeu a comunidade científica ao manifestar seu apoio à medicina homeopática, em uma entrevista publicada na revistaScience de 24 de dezembro de 2010.56 No entanto, cabe ressaltar que Luc Montagnier nunca produziu nenhum estudo evidenciando a eficácia do método homeopático.

Estudos controlados e experimentos clínicos

Em um relatório preliminar da OMS com o título de Homoeopathy: review and analysis of reports on controlled clinical trials, é destacado que testes clínicos mostraram que a homeopatia é mais efetiva que placebo em experimentos controlados.57
Dana Ullman, em seu livro de 1995The Consumer's Guide to Homeopathy, dedica um capítulo a "Evidências Científicas para a Medicina Homeopática". Cita um estudo de 1991 que afirma:
" Três professores de medicina dos Países Baixos, nenhum deles homeopata, fizeram uma metanálise de 25 anos de estudos clínicos usando medicamentos homeopatas e publicaram seus resultados no periódico British Medical Journal. Essa metanálise cobriu 107 estudos controlados, dos quais 81 mostraram que medicamentos homeopáticos foram eficazes, 24 se mostraram ineficazes e 2 foram inconclusivos. Os professores concluíram, 'A quantidade de resultados positivos veio como uma surpresa para nós'. "
Ainda sobre metanálise, um dos últimos trabalhos do pesquisador Jacques Benveniste sobre homeopatia avaliou 89 estudos e concluiu que os resultados da meta-análise não são compatíveis com a hipótese de que os efeitos clínicos da homeopatia são completamente devidos ao placebo58 . No entanto os pesquisadores não encontraram, com base nesses estudos, provas suficientes de que a homeopatia seja eficaz para condições clínicas específicas. Em um outro estudo, que revisou 110 outros, Shang e colaboradores 59 mostraram que os estudos de homeopatia não são imparciais, e, quando esta imparcialidade é levada em consideração, há uma fraca evidência para um efeito específico dos medicamentos homeopáticos, enquanto há fortes evidências de efeitos específicos de intervenções convencionais. Este achado é compatível com a noção de que os efeitos clínicos da homeopatia podem ser efeitos placebo.

Aceitação da homeopatia nos países

A aceitação da homeopatia como uma forma autônoma e válida de medicina depende da legislação de cada país. Eis o panorama conforme vigente até esta data (15 de maio de 2010):
  • Austrália: à semelhança do que ocorre no Reino Unido, a homeopatia é legalizada como prática médica, por ato do parlamento.
  • Bélgica: a homeopatia é reconhecida, desde que praticada por médicos. Cerca de 25% da população belga utiliza por vezes medicamentos homeopáticos.
  • Brasil: a partir de 1979 a homeopatia passou a constar no Conselho de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira e em 1980, do rol de especialidades do Conselho Federal de Medicina, deixando de fazer parte das medicinas alternativas e passando a constituir parte do que hoje se chama medicinas integrativas. O SUS - Sistema Único de Saúde - a inclui em suas rotinas de atendimento e hoje está estabelecida como política de Estado. Há no País médicos, veterinários e odontólogos, além de farmacêuticos, psicólogos e agrônomos, que trabalham oficialmente com homeopatia. Há também a formação em homeopatia ministrada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) onde não se exige graduação na área de saúde, e nem mesmo um curso superior, formando os chamados "terapeutas homeopatas", atividade que tem causado muita controvérsia. Todavia são poucas as faculdades de medicina no país que reconhecem a homeopatia como especialidade médica. A maior parte dos cursos de medicina (sobretudo os das universidades públicas e particulares de ponta) não reconhecem esta modalidade e nem a introduzem em suas ementas. Entre as poucas universidades que permitem o ensino de tais práticas, a maioria deixa a critério dos alunos a opção entre estudá-las ou não, ao definirem as disciplinas relacionadas ao método como eletivas.60 61
  • Espanha: a homeopatia é reconhecida como especialidade de médicos e psicólogos, sendo ensinada nas universidades de SevilhaValladolidMúrciaBarcelonaBilbao e Málaga.
  • Estados Unidos: depois de ter sido popular no começo do século XX e ter declinado, a homeopatia ressurge, com escolas de formação em vários estados. Na década de '80 havia cerca de 1000 médicos homeopatas, e outros três mil profissionais usando homeopatia, inclusive dentistas, veterinários e psicólogos.
  • França: a homeopatia segue as regras estabelecidas por Philippe de Lyon, que só aceita as potências até CH30. Estes medicamentos, prescritos por médicos, são reembolsados pelo sistema público de saúde. Quase todas as farmácias francesas vendem medicamentos homeopáticos.
  • Índia: há mais de 120 escolas de homeopatia, ligadas a universidades e a hospitais, das quais 19 são mantidas pelo governo.
  • Países Baixos: a homeopatia não tem reconhecimento oficial, mas uma lei de 1996 garante o direito de cada pessoa escolher entre o tratamento pela medicina oficial ou por outra forma de terapia.
  • Portugal: a Ordem dos Médicos não reconhece a homeopatia como especialidade médica. No entanto, existem duas associações, uma em Lisboa (SPH) e outra no Porto (SPMH), que aceitam apenas médicos como membros. As farmácias em Portugal vendem medicamentos homeopáticos com autorização do Infarmed.
  • Reino Unido: a homeopatia é legalizada como prática médica. Um ato do parlamento britânico de 1950 (Ato da Faculdade de Homeopatia) reuniu as leis e regulamentos sobre a prática da homeopatia.
  • República Checa: há cerca de mil médicos homeopatas clássicos, que não receitam apenas remédios homeopáticos porque as companhias de seguro não cobrem os gastos.
  • Romênia: a homeopatia foi legalizada em 1969, e é exercida apenas por médicos. Há cerca de setecentos homeopatas no país.

Ligações externas

Commons
Commons possui multimídias sobre Homeopatia

Referências

  1. ↑ Ir para:a b Hahnemann, SamuelThe Homœopathic Medical Doctrine, or "Organon of the Healing Art". Dublin: W.F. Wakeman, 1833. iii48–49 p.
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  3. Ir para cima ALMEIDA, Cristina. Homeopatia, uma terapia sem efeitos colaterais. Viva Saúde!. Página visitada em 22/01/2012.
  4. ↑ Ir para:a b Ernst, E. (2002), "A systematic review of systematic reviews of homeopathy"British Journal of Clinical Pharmacology 54 (6): 577–82, doi:10.1046/j.1365-2125.2002.01699.xPMID 12492603
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Fonte:Wikipédia


Bibliografia
Generalista
Contrária à homeopatia
Favorável à homeopatia